Onça da Grande BH pode atacar pessoas? Veja como agir e de onde ela veio
Moradores estão apreensivos após cinco aparições nos últimos dias; médica veterinária e bombeiros explicam por que o animal surge e como se proteger

Em uma semana, uma onça apareceu pelo menos três vezes no bairro São Pedro, em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, deixando moradores com medo e mobilizando autoridades.
Nessa terça-feira (17), imagens de circuito de segurança mostram o animal pegando impulso em uma árvore e pulando em direção ao telhado de uma casa.
De acordo com Hallana Couto, médica veterinária do Grupo de Resgate Animal de Belo Horizonte, que acompanha o monitoramento do caso, a área urbana fica cercada por pequenos trechos de mata que se conectam a uma área maior, o que favorece a presença do animal. Em 2021, uma onça já havia assustado moradores na mesma região.
Segundo a especialista, com a ação do homem modificando o ambiente natural, esse tipo de situação se torna mais comum, e os animais silvestres passam a aparecer com mais frequência nas cidades, já que o espaço deles está cada vez menor.
"A mata atlântica mineira apresenta uma escassez de florestas primárias, contínuas, extensas e abundantes, restando alguns fragmentos em que a fauna silvestre busca sobreviver ou usa de trecho de passagem para migração até um ambiente mais adequado", disse.
Inclusive, moradores também relatam o aparecimento de outros animais silvestres por lá, como cachorro-do-mato e gambás.
Cabritos, cães e gatos são presas
Não é possível saber exatamente de onde veio a onça. A especialista explica que uma onça-parda jovem pode percorrer dezenas de quilômetros, fazer pausas para descanso e depois continuar o deslocamento, o que dificulta identificar sua origem.
“O que é possível notar, por meio do mapa, é que vários fragmentos de pequenas áreas de mata podem formar uma espécie de corredor ecológico, conectando-se a áreas mais robustas”, acrescentou.

De acordo com a veterinária, tudo indica que o animal está apenas de passagem, em busca de uma área maior de floresta, e por isso a captura só ocorre se for realmente necessária. A busca por alimento é uma das hipóteses para as visitas.
“Claro, podem haver alguns atrativos no local, como a presença de galinhas, mas, no geral, elas não tendem a permanecer por muito tempo nessas áreas”, disse.
Segundo o sargento do Corpo de Bombeiros (CBMMG) Allan Azevedo, cabritos, cães, gatos e outros de pequeno porte podem atrair onças, pois são presas fáceis.
"Restos de comida e lixo também podem contribuir para essa aproximação", afirmou.
Ataques a humanos são raros
A onça-parda (Puma concolor), também chamada de suçuarana ou leão-baio, tem cor uniforme, geralmente marrom ou acinzentada. É um animal mais ágil e discreto, que consegue se adaptar bem a diferentes ambientes, inclusive em áreas próximas às cidades.
Por isso, vive em várias regiões, se alimenta apenas de carne e costuma ser mais ativa à noite ou no começo e no fim do dia. Segundo a veterinária, é um animal solitário, que normalmente vive sozinho — com exceção das fêmeas com filhotes.
"Elas não enxergam o ser humano como presa, e sim como um importante predador, portanto tendem a evitar chegar próximo de humanos", disse.
"Ataques de onças pardas são raríssimos. Existem boatos, alguns relatos, mas não há dados oficiais registrados sobre ataque de onça parda em humanos principalmente com função de predação. Os poucos relatos sobre ataques envolvem uma ameaça iminente ao animal, que procura então se defender", acrescentou.
'Não vire de costas'
A veterinaria lembrou que, em 2022 uma onça-parda foi avistada no Santa Efigênia, na Região Leste da capital mineira. Em parceria com CBMMG e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), o Grupo de Resgate Animal de BH foi realizada a captura do animal.
Em BH e região, de acordo com a especialista há apenas onça-parda. "No estado de Minas Gerais, só há registros oficiais de onça-pintada no Parque Estadual do Rio Doce", explicou.
Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.



