Itatiaia

Vencedor do principal prêmio literário da França defende o uso de IA: ‘Ela deve ser útil’

Outro autor, Thelyson Orelien, que era considerado um dos favoritos ao Prix Goncourt, teve seu romance removido da lista de finalistas em meio a especulações de que teria utilizado IA na escrita da obra

Por
Vencedor do principal prêmio literário da França defende o uso de IA: ‘Ela deve ser útil’
Vencedor do principal prêmio literário da França defende o uso de IA: ‘Ela deve ser útil’ • AFP

O vencedor do Prix Goncourt, o principal prêmio literário da França, declarou nesta quarta-feira (4) que utilizou inteligência artificial em seu livro para "brincar com o leitor". Philippe Jaenada, vencedor do prêmio de 2026 por seu romance “L'Inconnue du quai de Javel” (A Desconhecida do Quai de Javel), admitiu ter recorrido à IA em três momentos durante o processo de escrita.

Suas declarações surgem em meio a uma onda global de críticas contra acadêmicos e autores, incluindo casos de exclusão de competições literárias, sob alegações de uso dessa tecnologia em seus trabalhos.

Jaenada contou à rádio France Inter que, na primeira vez, utilizou a IA para inserir uma frase escrita pelo ChatGPT, com o objetivo de "brincar com o leitor". O autor, de 62 anos, revelou a frase ao júri do Goncourt na terça-feira.

Leia também: Cachaça de MG ganha o mundo: Porto D’Ouro conquista ouro em Bruxelas e prata na França

"Se isso vier à tona, saberei de onde veio", brincou ele.

Em outra ocasião, ele usou a IA "para zombar um pouco do ChatGPT, que fornece respostas totalmente absurdas sobre um detalhe técnico".

Jaenada afirmou também ter utilizado a IA para pesquisas técnicas: "Não creio que seja possível descartar a IA; não dá para agir como se ela não existisse. É preciso usá-la, reconhecê-la, domá-la, sem permitir ser substituído por ela. Ela deve ser útil", disse.

Seu romance, baseado em um caso real, explora o assassinato não resolvido de uma jovem da Bretanha, ocorrido no final da década de 1940.

O autor haitiano-canadense Thelyson Orelien, que era considerado um dos favoritos ao Prix Goncourt, teve seu romance removido da lista de finalistas em meio a especulações de que teria utilizado IA na escrita da obra "C'était ça ou mourir" (Era Isso ou Morrer).

No mês passado, a editora canadense de Orelien confirmou que ele havia recorrido à IA para auxiliar na redação do livro e anunciou o rompimento de seus laços profissionais com o autor.

*Com AFP

Por

Mariane Castro é estudante de jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais. Tem interesse nas áreas de cultura e pesquisa em jogos digitais e já atuou na Assessoria de Imprensa da UFMG. Atualmente, é estagiária de Minas, Brasil e Mundo na Rádio Itatiaia.

 

 

Belo Horizonte