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Trump diz que não sabia de ataque a campo de gás e faz ameaça ao Irã

Presidente dos EUA, porém, ameaçou atacar novamente a instalação caso o Irã lance bombas ao Catar

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Uma imagem mostra uma vista geral das instalações da fase 17-18 do campo de gás de South Pars, na cidade portuária de Assaluyeh, no sul do Irã, às margens do Golfo Pérsico, em 19 de novembro de 2015 • Atta KENARE / AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, nessa quarta-feira (18), que não tinha conhecimento dos ataques de Israel ao campo de gás South Pars, compartilhado entre Irã e Catar.

Israel atacou a maior instalação de gás liquefeito do mundo nessa quarta-feira (18), atingindo tanques de gás e partes de uma refinaria do local. As chamas já foram controladas.

Trump chegou a afirmar que Israel cometeu o ataque "violento" por estar "enfurecido com os acontecimentos no Oriente Médio". O presidente garantiu que não haverá nenhum outro ataque ao local por parte de Israel.

"Os Estados Unidos não tinham conhecimento desse ataque específico, e o Catar não estava envolvido de forma alguma, nem tinha ideia de que ele ocorreria", escreveu no Truth Social.

"Nenhum outro ataque será feito por Israel contra este importantíssimo e valioso Campo de South Pars, a menos que o Irã, imprudentemente, decida atacar um país inocente, neste caso, o Catar", acrescentou.

Na publicação, Trump ameaçou atacar o campo caso o Irã ataque o Catar novamente.

"Nessa situação, os Estados Unidos da América, com ou sem a ajuda ou consentimento de Israel, explodirão massivamente a totalidade do Campo de Gás de South Pars com uma força e potência jamais vistas ou testemunhadas pelo Irã", ameaçou.

"Não quero autorizar esse nível de violência e destruição devido às implicações de longo prazo que isso terá para o futuro do Irã, mas se o projeto de GNL do Catar for atacado novamente, não hesitarei em fazê-lo", completou.

Trump ameaçou atacar o local

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia ameaçado bombardear o local. South Pars é a maior reserva de gás conhecida no mundo e fornece quase 70% do gás natural para consumo interno da República Islâmica.

"Danos consideráveis" foram relatados pela empresa estatal de energia do Catar, a QatarEnergy. Os incêndios provocados pelo ataque foram controlados e não houve relatos de vítimas.

Em retaliação, o Irã atacou a área de Ras Laffan, também no Catar, o maior complexo industrial e porto de exportação de gás liquefeito no mundo, nesta quarta e quinta-feira.

O Catar é o segundo maior exportador mundial de GNL. O Ministério das Relações Exteriores do país declarou que os ataques "ultrapassaram todas as linhas vermelhas por terem como alvo civis, assim como instalações civis e vitais".

Ataque a refinarias

Os ataques iranianos não foram apenas no Catar. O país também atingiu a refinaria saudita de Samref, em Yanbu, com um drone. O local tem capacidade de processamento de mais de 400 mil barris de petróleo por dia.

Samref tem grande relevância na região, uma vez que é uma alternativa à exportação de petróleo pelo Estreito de Ormuz, que está bloqueado no momento.

No Kuwait, outras duas refinarias de petróleo também foram atingidas por drones iranianos, causando incêndios. A Mina Abdullah e a Mina Al Ahmadi têm capacidade combinada de 800 mil barris por dia. Os dois incêndios foram controlados.

Ataques no Irã

Os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã começaram no dia 28 de fevereiro. Segundo o presidente Donald Trump, o objetivo era acabar com a “ameaça” iraniana. Em um dos ataques, o aiatolá Ali Khamenei foi morto.

Em retaliação, o Irã realiza ataques a todo o Golfo Pérsico. Mais de 2 mil pessoas morreram desde o início do conflito.

PorFormada pela PUC Minas, Maria Fernanda Ramos é repórter das editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo na Itatiaia. Antes, passou pelo portal R7, da Record.