Trump diz que morte de soldados dos EUA pode levar à retomada de guerra no Irã
Presidente americano também afirmou estar aberto a uma reunião com o líder supremo iraniano caso um acordo de paz seja alcançado

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (4) que uma eventual morte de soldados americanos em ataques iranianos seria motivo suficiente para uma rápida retomada do conflito entre os dois países. A declaração foi dada durante conversa com jornalistas no Salão Oval da Casa Branca, em meio a incertezas sobre a manutenção do cessar-fogo e à troca de sinais contraditórios entre Washington e Teerã.
Questionado sobre o que consideraria uma linha vermelha para voltar às hostilidades, Trump respondeu que a morte de militares americanos justificaria uma reação imediata. “Se eles matassem soldados americanos, acho que eu faria isso muito rapidamente”, afirmou.
As declarações ocorrem em um momento de indefinição nas negociações entre os dois países. Na véspera, Trump havia dito que um acordo poderia ser alcançado “neste fim de semana”, mas autoridades iranianas afirmaram que não houve avanços significativos nas conversas.
Possível encontro com líder iraniano
Durante a entrevista, o presidente americano também disse estar disposto a se reunir com o novo líder supremo do Irã caso um acordo seja firmado para encerrar o conflito. Segundo Trump, um encontro poderia ocorrer futuramente se as negociações avançarem. Ele afirmou que não busca a reunião, mas que estaria aberto à possibilidade.
Ao comentar o líder iraniano, Trump declarou que, embora não seja sua “pessoa favorita”, considera que ele possui reputação positiva em alguns setores.
Pressão sobre programa nuclear
Trump voltou a defender que o Irã não tenha acesso a armas nucleares e afirmou que esse continua sendo um dos principais objetivos da política externa americana na região. “Não se pode deixar o Irã ter uma arma nuclear”, declarou.
Ao lado do presidente, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, minimizou os impactos do conflito sobre os preços dos combustíveis e atribuiu a alta dos custos energéticos às políticas ambientais adotadas por governos democratas.
Cessar-fogo no Líbano enfrenta dificuldades
As declarações de Trump ocorreram no mesmo dia em que um soldado israelense morreu após ser atingido por um míssil antitanque disparado pelo Hezbollah no sul do Líbano. O episódio aconteceu poucas horas depois da entrada em vigor de um acordo de cessar-fogo entre Israel e o governo libanês, mediado pelos Estados Unidos.
Apesar da violação da trégua, Trump afirmou que houve avanços nas tentativas de encerrar os confrontos no país e disse ter tratado do tema tanto com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, quanto com representantes ligados ao Hezbollah. O grupo libanês, apoiado pelo Irã, rejeitou formalmente o acordo e não integra o pacto firmado entre os governos de Israel e do Líbano.
Congresso impõe obstáculos
No cenário doméstico, Trump também enfrenta resistência no Congresso. A Câmara dos Representantes aprovou na quarta-feira uma resolução para limitar os poderes do presidente em ações militares relacionadas ao Irã.
Já nesta quinta-feira, os deputados rejeitaram uma proposta apresentada pela democrata Rashida Tlaib que determinava a retirada das forças americanas do Líbano. O texto foi derrotado por ampla maioria.
EUA mantêm alerta para cidadãos no Oriente Médio
Diante da instabilidade regional, o Departamento de Estado reforçou o alerta para que cidadãos americanos adotem medidas de cautela em países do Oriente Médio.
Segundo o governo dos EUA, o cenário de segurança permanece instável e sujeito a mudanças rápidas. Washington mantém recomendações para que americanos reconsiderem viagens a países como Israel, Jordânia, Catar e Emirados Árabes Unidos, enquanto destinos como Irã, Iraque, Líbano, Síria e Iêmen seguem sob o nível máximo de alerta, com orientação para que não sejam visitados.
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