Torre Eiffel é reaberta após greve de funcionários contra exclusão de trabalhadoras
Movimento ocorreu após funcionárias serem afastadas de seus postos durante a visita de um grupo espiritual hindu; Prefeitura de Paris abriu investigação sobre o caso.

A Torre Eiffel foi reaberta nesta terça-feira (8), após uma paralisação dos funcionários motivada pela exclusão de trabalhadoras durante a visita de um grupo hindu.
Segundo um comunicado da Confederação Geral do Trabalho (CGT), antes da visita do movimento espiritual hindu Bochasanwasi Akshar Purushottam Swaminarayan Sanstha (BAPS), no sábado, os funcionários foram instruídos a afastar de seus postos as mulheres que trabalham no monumento. Elas foram "afastadas, substituídas e invisibilizadas devido ao seu sexo".
"A algumas mulheres foi solicitado que deixassem seus postos e se retirassem para salas reservadas. Em alguns postos, foram substituídas por homens. E todas as funcionárias foram instruídas a não passar por determinadas áreas enquanto a delegação estivesse presente", afirma o comunicado do sindicato.
A Sociedade de Exploração da Torre Eiffel (SETE) afirmou que a delegação hindu havia solicitado que a visita fosse organizada com a limitação das interações com as mulheres e admitiu que não deveria ter aceitado o pedido.
O prefeito de Paris, Emmanuel Grégoire, anunciou a abertura de uma investigação sobre o ocorrido.
Em um comunicado de desculpa, a BAPS se pronunciou a "qualquer pessoa que possa ter se sentido ofendida ou incomodada por esta situação", mas relativizou as críticas.
Em seu site, a Torre Eiffel afirma que o monumento emblemático da capital francesa permanecerá aberto.
Primeiro templo francês
No domingo (6), milhares de hindus celebraram em Bussy-Saint-Georges, a 30 km a leste de Paris, a consagração do primeiro grande templo construído na França como um "símbolo da cultura indiana e do hinduísmo".
No topo do templo tremulavam as bandeiras do movimento BAPS, fundado em 1907 e que conta com uma rede mundial de mais de 1.300 templos. Parte da diáspora indiana se opõe à inauguração do novo templo na França, que considera uma ofensa do "supremacismo hindu", com "uma visão de mundo conservadora e nacionalista".
Mariane Castro é estudante de jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais. Tem interesse nas áreas de cultura e pesquisa em jogos digitais e já atuou na Assessoria de Imprensa da UFMG. Atualmente, é estagiária de Minas, Brasil e Mundo na Rádio Itatiaia.



