‘Queremos renascer’: Amatrice lembra 10 anos do terremoto que deixou 239 mortos
Madrugada de homenagens reúne sobreviventes na Itália, enquanto maioria dos desabrigados ainda não conseguiu voltar para casa

Ao completar 10 anos da tragédia, a Itália relembrou, nesta segunda-feira (24), o aniversário do terremoto que causou 299 mortes e desencadeou uma sequência sísmica no centro do país.
Com magnitude 6.0 na escala Richter, o tremor devastou o centro histórico de Amatrice, comuna italiana na região do Lácio, província de Rieti, além de atingir a vizinha Accumoli e vilarejos próximos. No total, 239 pessoas morreram em Amatrice, 10 em Accumoli e 50 em Pescara del Tronto. Entre os 40 mil desabrigados à época, muitos ainda sentem os reflexos do desastre.
O presidente da Itália, Sergio Mattarella, visitou um dos locais mais afetados e destacou em pronunciamento:
"Com um saldo de 299 mortos, 365 feridos e mais de 40 mil desalojados, esse terremoto constitui uma página dramática na história da República e serve como um lembrete constante da necessidade contínua de fortalecer os mecanismos de prevenção e resposta aos eventos sísmicos aos quais nosso território está sujeito."
"A recuperação é um processo complexo que exige um compromisso para ser concluído o mais rapidamente possível e serve como um lembrete da responsabilidade coletiva de restaurar a normalidade que foi destruída nas áreas afetadas por esta tragédia", acrescentou sobre o compromisso com a recuperação da área.
Homenagem às vítimas
Durante a madrugada que marcou o abalo ocorrido em 24 de agosto de 2016, uma procissão com velas foi realizada em homenagem às vítimas.
A mobilização reuniu comoção e desabafos de quem ainda aguarda a volta à normalidade. "Pela décima vez, queremos simplesmente dizer que estamos aqui. Estamos aqui por aqueles que não estão mais conosco, por aqueles que ainda estão aqui e por esta terra que merece renascer e brilhar novamente com sua própria luz, por sua beleza, por sua história e por sua tradição, e não porque foi vítima de um terremoto", declarou um morador.
Houve também críticas à alteração no horário de cerimônias oficiais para coincidir com a agenda da primeira-ministra Giorgia Meloni e do governador do Lácio, Francesco Rocca. Tradicionalmente, a missa em tributo às vítimas ocorria pela manhã.
Avanços na reconstrução
Uma década após o terremoto, a maior parte dos desabrigados ainda não conseguiu retornar para suas casas. Embora o governo italiano tenha previsto cerca de 17 bilhões de euros para as obras, apenas 40% dos projetos foram iniciados.
No centro histórico de Amatrice, praticamente destruído por completo, a Torre Cívica, do século 13, permaneceu de pé e foi restaurada, tornando-se símbolo de resistência local. Ao redor, praticamente tudo desapareceu.
Giorgia Meloni reiterou a promessa de avanços na reconstrução que os moradores da região sonham: "Muito já foi feito, mas ainda há muito por fazer. Devemos dar ainda mais força e continuidade ao grande trabalho em equipe que, ao longo dos anos, envolveu todos os níveis das instituições nacionais e locais, juntamente com o tecido econômico, social e produtivo", afirmou a primeira-ministra.


