Políticos dinamarqueses procuram eleitores até na sauna; entenda
Atualmente, os social-democratas lideram as pesquisas com cerca de 21,5% das intenções de voto

Tradicionalmente, o período eleitoral na Dinamarca é marcado pela distribuição de flores e biscoitos, mas a corrida para as eleições legislativas de 24 de março trouxe um cenário inusitado: o debate político entre o vapor e o calor das saunas. Em uma estratégia para humanizar o contato com o público, figuras do alto escalão do governo têm trocado os palanques por trajes de banho em centros recreativos de Copenhague.
No último domingo, a deputada Ida Auken e o ministro da Justiça, Peter Hummelgaard, ambos do Partido Social-Democrata da primeira-ministra Mette Frederiksen, realizaram uma sessão de "suor e diálogo" com 18 eleitores no bairro de Vanlose. Enquanto a água era jogada sobre as pedras quentes, o grupo — também em trajes de banho e sentados sobre toalhas em bancos de madeira — discutia temas densos como crise climática, energia, desigualdade social e criminalidade.
Para os eleitores presentes, como Gitte Droger, de 53 anos, o ambiente confinado favorece a atenção, já que as pessoas estão relaxadas e sem pressa para ir embora. Auken, que busca seu sexto mandato, destacou que esta campanha tem sido marcada por experiências fora das mesas-redondas convencionais, incluindo partidas de handebol e visitas a bares. Segundo ela, o objetivo é mostrar que os políticos são "seres humanos reais", visando recuperar a confiança do eleitorado.
O ministro Hummelgaard, que chegou a experimentar um banho de gelo entre as sessões de calor, reforçou que a política também deve ter momentos de descontração. O evento ocorreu de forma orgânica, sem controles de segurança rigorosos ou revistas nos visitantes, refletindo a cultura de proximidade característica do país escandinavo. Miriam Hvidt, outra eleitora presente, observou que encontrar ministros no supermercado, no cinema ou mergulhando em águas geladas é algo natural na Dinamarca, traçando um contraste com países de grandes dimensões, como os Estados Unidos, onde tal nível de acessibilidade é raro.
Atualmente, os social-democratas lideram as pesquisas com cerca de 21,5% das intenções de voto. Embora ocupem o topo da preferência nacional à frente de uma coalizão de esquerda e direita, o número representa uma queda de seis pontos percentuais em relação ao pleito de 2022. O desfecho da composição do próximo governo dependerá das complexas negociações pós-eleitorais que se seguirão após o dia 24 de março.
Com informações de AFP


