Papa Leão XVI diz que guerra no Oriente Médio é 'escândalo' para humanidade
Pontífice reforçou apelo de cessar-fogo e pediu aos fiéis que continuem orando

O papa Leão XIV reforçou, neste domingo (22), o apelo por um cessar-fogo imediato na guerra do Oriente Médio. O pontífice afirmou que a morte e o sofrimento causados pelo conflito são um "escândalo para toda a família humana".
Não podemos permanecer em silêncio diante do sofrimento de tantas pessoas, vítimas indefesas desses conflitos. O que as fere, fere toda a humanidade
À medida em que a guerra envolvendo os Estados Unidos e Israel contra o Irã perdura cerca de quatro semanas, Leão XIV destacou que continua acompanhado com "consternação" a situação no Oriente Médio e em outras regiões atingidas pelo conflito.
"Renovo veementemente meu apelo para que perseveremos em oração, para que as hostilidades cessem e o caminho para paz seja finalmente pavimentado", acrescentou o pontífice.
Ao final do Angelus de 22 de março, na Praça de São Pedro, o papa reiterou aos fiéis que continuem orando, "para que cessem as hostilidades e se abram finalmente caminhos de paz baseados no diálogo sincero e no respeito pela dignidade de cada pessoa humana".
Entenda o conflito no Oriente Médio
Donald Trump anunciou, em 28 de fevereiro, que os Estados Unidos atacariam o Irã com o objetivo de destruir as forças armadas do país e seu programa nuclear.
Em um vídeo publicado na rede Truth Social, o presidente americano acusou o Irã de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares”. De acordo com Trump, os EUA “não aguentam mais”. Na ocasião, Israel também anunciou ataques contra o Irã.
Como resposta, o regime iraniano lançou uma onda de ataques em grande parte do Oriente Médio, com explosões em países que abrigam bases militares norte-americanas, como os Emirados Árabes, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.
Dias depois, em dois de março, o exército israelense também realizou ofensivas no Líbano, com bombardeios na Região Sul de Beirute. Logo depois, o país iniciou operações terrestres, sob a justificativas que os ataques são "limitadas e seletivas contra redutos-chave" do Hezbollah na região.
Um aspecto importante do conflito envolve o fechamento do Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estreita localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo.
Recém-completadas três semanas de guerra, o Oriente Médio registrou mais de duas mil mortes. O Irã é o país com mais número de vítimas, contabilizando mais de 1.300 mortes segundo o embaixador do país nas Nações Unidas. Outros países também são alvos de bombardeios e ataques, como a Arábia Saudita com duas vítimas, Bahrein (2), Emirados Árabes Unidos (6), EUA (13), Iraque (32), Israel (15), Kuwait (6), Líbano (1.001), Omã (3).
Sem previsão para um acordo entre os países que possa pôr fim ao conflito, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da Organizações das Nações Unidas (ONU) estimou que mais de 45 milhões de pessoas poderão passar fome se a guerra no Oriente Médio se estender até junho deste ano. A pesquisa foi divulgada pelo diretor-executivo adjunto do PMA, Carl Skau, em uma coletiva de imprensa nessa terça-feira (17). Na ocasião, Skau disse que "a fome nunca foi tão grave como agora".
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



