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O que se sabe sobre o surto de Ebola que levou a OMS a declarar emergência global

República Democrática do Congo já registrou 88 mortes e 336 casos suspeitos; doença é altamente contagiosa e taxa de mortalidade pode chegar a 50%

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Imagem ilustrativa - Funcionários limpam equipamento de proteção contra ebola em Beni, na República Democrática do Congo, em 31 de maio de 2019 • Cruz Vermelha

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou neste domingo (17) estado de emergência de saúde pública de importância internacional por causa do avanço de um novo surto de ebola na República Democrática do Congo, país na região central da África. A decisão foi anunciada após a confirmação de um caso na cidade de Goma, no leste do país. A área é controlada pelo grupo de milícia M23, apoiado por Ruanda.

O alerta internacional ocorre em meio ao aumento do número de vítimas. Segundo os Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças, o país já contabiliza 88 mortes e 336 casos suspeitos da doença hemorrágica altamente contagiosa. O temor das autoridades sanitárias cresceu depois que exames laboratoriais confirmaram a infecção de uma mulher que viajou para Goma após a morte do marido, vítima do ebola na cidade de Bunia. A informação foi divulgada por Jean-Jacques Muyembe, diretor do Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica congolês.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou estar “muito preocupado” com a evolução da epidemia. Em publicação nas redes sociais, ele informou que o cenário atende aos critérios para uma emergência internacional, embora ainda não seja considerado uma pandemia.

A OMS classificou o episódio no segundo nível mais alto de alerta sanitário global e afirmou que ainda há incertezas sobre a real dimensão da crise. Segundo a organização, o número de infectados pode ser maior do que o oficialmente registrado, principalmente devido à dificuldade de acesso às regiões afetadas.

O Ebola é contagioso? 

A doença é considerada altamente contagiosa. A transmissão do ebola acontece por contato com fluidos corporais ou sangue de pessoas infectadas. O vírus passa a ser contagioso após o surgimento dos sintomas, e o período de incubação pode chegar a 21 dias. Febre, vômitos e hemorragias estão entre os principais sinais da doença.

O atual surto envolve a cepa Bundibugyo, identificada pela primeira vez em 2007. Diferentemente da cepa Zaire, responsável pelas epidemias mais letais da doença, ainda não existem vacinas ou tratamentos específicos para essa variante. Segundo o ministro da Saúde congolês, Samuel-Roger Kamba, a taxa de mortalidade pode chegar a 50%. As autoridades locais apontam que o caso inicial foi o de uma enfermeira que procurou atendimento médico em Bunia, capital da província de Ituri, no dia 24 de abril, já apresentando sintomas compatíveis com ebola.

Organizações humanitárias também demonstram preocupação com a velocidade de propagação da doença. A ONG Médicos Sem Fronteiras informou que prepara uma resposta emergencial em larga escala na região. Além do avanço rápido dos casos, a infraestrutura precária da República Democrática do Congo dificulta o transporte de materiais médicos e o isolamento de pacientes. Moradores relatam que muitas vítimas estão morrendo em casa sem acesso adequado a tratamento.

Este é o 17º surto de ebola registrado na República Democrática do Congo. Nas últimas cinco décadas, a doença já provocou quase 15 mil mortes em países africanos.

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Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.