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Navio de guerra russo atira contra iate britânico no Canal da Mancha

Incidente ocorreu próximo à Ilha de Wight e elevou a tensão entre Moscou e Londres em meio ao conflito na Ucrânia

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A fragata russa Admiral Essen 490, da classe Admiral Grigorovich, atracada no porto de Sarayburnu em Istambul, em 20 de agosto de 2021.
A fragata russa Admiral Essen 490, da classe Admiral Grigorovich, atracada no porto de Sarayburnu em Istambul, em 20 de agosto de 2021. • Ozan KOSE | AFP

Um navio de guerra da Rússia disparou tiros de advertência contra um iate de bandeira britânica no Canal da Mancha, em um episódio que aumentou a preocupação com a segurança marítima em uma das rotas mais movimentadas do mundo. O caso aconteceu a cerca de 20 milhas náuticas ao sul da Ilha de Wight, fora das águas territoriais do Reino Unido, e envolveu a fragata russa Almirante Grigorovich e o iate Futuro Brilhante. Segundo autoridades russas e britânicas, não houve feridos nem danos à embarcação civil.

De acordo com o Ministério da Defesa da Rússia, o iate teria se aproximado de forma considerada perigosa da fragata. Após tentativas de contato sem resposta, a embarcação militar lançou inicialmente mísseis de sinalização para chamar a atenção da tripulação. Como o iate teria mantido a trajetória de aproximação, a fragata efetuou disparos de advertência com armas leves. O governo britânico confirmou que os tiros foram disparados, mas afirmou que não tiveram como alvo direto o iate. Em comunicado, o Ministério da Defesa do Reino Unido informou que a ação ocorreu com o objetivo de evitar uma possível colisão entre as embarcações.

A tripulação do iate relatou que estava a aproximadamente 450 metros do navio russo quando os disparos ocorreram. Apesar do susto, ninguém ficou ferido e a embarcação não sofreu qualquer dano. Após o incidente, o patrulheiro britânico HMS Tyne enviou uma embarcação para verificar a situação e prestar apoio.

O episódio acontece em um momento de forte tensão entre Rússia e países ocidentais por causa da guerra na Ucrânia. Nos últimos meses, a presença do Almirante Grigorovich nas proximidades do litoral britânico tem sido monitorada de perto pela Marinha Real. Segundo informações divulgadas anteriormente pela imprensa britânica, a fragata estaria escoltando petroleiros ligados à chamada "frota paralela" russa, utilizada para manter exportações de petróleo apesar das sanções impostas por países ocidentais. Autoridades britânicas afirmaram que a embarcação russa vinha sendo acompanhada continuamente desde abril e que diversos navios foram destacados para monitorar deslocamentos pelo Canal da Mancha.

O incidente também ocorreu poucos dias após uma operação britânica contra um petroleiro suspeito de integrar essa frota paralela. No domingo anterior, militares do Reino Unido abordaram o navio Smyrtos em uma ação realizada com apoio de helicópteros. Na segunda-feira, promotores britânicos acusaram o capitão da embarcação, de nacionalidade indiana, de descumprir as sanções impostas à Rússia após a invasão da Ucrânia, iniciada em 2022.

Apesar da proximidade temporal entre os dois episódios, fontes da defesa britânica afirmaram não haver evidências de ligação entre a abordagem ao petroleiro e os tiros de advertência disparados pela fragata russa contra o iate. Apesar disso, o episódio reforça o clima de vigilância e desconfiança que marca as relações entre Moscou e Londres desde o início do conflito no leste europeu.

Com informações da AFP News. 

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Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.