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Na ONU, Brasil fará apelo por “contenção“ e retomada do processo de paz 

País fará apelo a fim de evitar uma escalada do conflito entre Israel e Palestina; reunião emergencial acontece neste domingo (8) nos EUA

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Brasil presidirá reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU
Brasil presidirá reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU • Reprodução

O Brasil fará um apelo pelo “exercício de contenção”, a fim de evitar uma escalada do conflito entre Israel e Palestina, e defenderá a retomada dos Acordos de Oslo na reunião emergencial do Conselho de Segurança da ONU, que presidirá neste domingo (8) em Nova York.

“Em um momento como este, é fundamental ser claro na condenação de atos terroristas. É uma situação muito séria, muito grave, mas é importante exortar a um exercício de contenção porque tudo pode ficar ainda pior”, disse à CNN o embaixador Carlos Duarte, chefe da Secretaria de África e Oriente Médio do Itamaraty.


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Segundo ele, a convocação do Conselho de Segurança – comandado pelo Brasil em outubro – tem como objetivo contribuir para a desescalada das tensões entre Israel e Palestina.

Duarte reconhece a dificuldade em retomar os Acordos de Oslo, processo de paz iniciado na capital da Noruega há três décadas, que culminaram em um histórico aperto de mãos entre o primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin e o líder palestino Yasser Arafat nos jardins da Casa Branca.

Os acordos abrangiam aspectos como o término dos conflitos, a abertura de negociações sobre territórios ocupados, a retirada de Israel do sul do Líbano e discussões sobre o status de Jerusalém.

“É difícil avaliar o quanto essa situação atual poderá influenciar no processo, mas é o caminho que existe para a paz. Se é possível recuperá-los [os acordos], e em que termos, é o que nós queremos ver e testar. O Brasil tem posições claras e firmes de como encaminhar esse conflito histórico”, afirmou o embaixador.

No mês passado, em meio à Assembleia Geral da ONU em Nova York, o Brasil já havia se juntado à União Europeia e à Arábia Saudita em um ato – pouco divulgado diante da paralisia do processo – que já defendia a retomada dos Acordos de Oslo. “As nossas posições têm consistência e agora serão recolocadas em um novo contexto”, acrescentou Duarte.

Quanto à nota do Itamaraty e à declaração escrita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que não mencionaram o Hamas como autor dos ataques em Israel, o embaixador contemporizou. Segundo ele, outros países – incluindo da União Europeia – não citaram o grupo islâmico.

“O importante é o conteúdo [dos pronunciamentos]. Os ataques vieram da Faixa de Gaza. E quem controla Gaza é o Hamas. Não há muitas dúvidas de quem lançou os ataques”.