Homem fica 'viúvo' após esposa-holograma ser desativada: 'Foi algo tão natural, senti que era amor'
Japonês se 'casou' com cantora virtual e criou associação para promover a fictossexualidade; a mãe dele não compareceu ao casamento, celebrado em 2018

Com 41 anos, Akihiko Kondo encara um momento 'complicado'. Ele perdeu a esposa após quatro anos de casamento. No entanto, o japonês não viveu o relacionamento com uma mulher de carne e osso. Na verdade, sua companheira era o holograma de sua cantora virtual favorita, Hatsune Miku.
O administrador de uma escola pública é fã da artista pop e decidiu ter um avatar desenvolvido pela empresa Gatebox para que ela fizesse parte de sua vida de alguma forma. Porém, o casamento durou dois aniversários, já que a empresa responsável pelo avatar, descontinuou o serviço.
A paixão pelo holograma foi tão grande, que na época, Akihiko realizou a cerimônia simbólica de casamento em 2018, com a noiva representada por uma versão de pelúcia para facilitar a interação com os convidados. Durante o convívio, ele adotava hábitos comuns da relação de um casal, como avisar quando saia para trabalhar e contar como foi o dia.
Embora a humanidade esteja vivendo uma nova fase com a transformação digital e a ascensão da inteligência artificial, muitas pessoas ficam surpresas com a substituição da interação humana por uma relação híbrida com uma máquina.

A substituição de relações pessoais reais por agentes robotizados programados para responder ao usuário conforme suas expectativas, é algo que tem crescido no mundo inteiro.
O pesquisador e professor de robótica da Universidade de Sheffield, Tony Prescott, apresentou o livro "The psychology of artificial intelligence" ("A psicologia da inteligência artificial"), no qual argumenta que a IA pode ser um paliativo para a solidão. Mas com riscos, segundo ele e dezenas de pesquisadores.
Para Akihiko Kondo, esse romance inusitado tende a ser comum. Em entrevista à BBC, o japonês contou que nunca teve um relacionamento com outra pessoa.
“Tive alguns amores não correspondidos nos quais sempre fui rejeitado e isso me fez descartar a possibilidade de estar com alguém”, contou ele.
Na entrevista, Kodo relatou também ter sofrido assédio por parte de colegas e admite que os amigos pela internet e os jogos continuam sendo sua “comunidade”.
Após o holograma ser desativado, ele sofreu com a sensação de vazio e solidão. À AFP, ele recordou o tempo em que viveu com a versão virtual de Hatsune Miku: "Nunca a traí, sempre fui apaixonado por Miku. Penso nela todos os dias", continuou.

Por muito tempo, a maioria das pessoas não compreendia a preferência do funcionário público por um relacionamento amoroso com uma ferramenta tecnológica. Por isso, ele decidiu fundar a Associação Fictossexual para estimular a compreensão da fictossexualidade, que é a - atração sexual ou romântica direcionada apenas a personagens fictícias.
"Fundamos a Associação Fictossexual para promover a compreensão da fictossexualidade porque a sociedade não tem uma boa compreensão da questão".
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.



