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Guerra civil na Síria: governo expulsa curdos de bairro dominado em Aleppo

Conflito reacendeu nos últimos três dias; Exército afirma ter expulsado grupo na segunda cidade mais importante do país

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Aleppo tem sido alvo de conflitos nos últimos três dias
Aleppo tem sido alvo de conflitos nos últimos três dias • Omar Haj Kadour / AFP

O exército sírio afirmou ter expulsado combatentes curdos (Forças Democráticas Sírias) de um bairro dominado em Aleppo, a segunda cidade mais importante do país, neste sábado (10). O confronto ocorre após um cessar-fogo que não foi capaz de interromper os combates violentos que tomam o país nos últimos três dias.

A violência no município aprofunda uma das principais separações existentes na Síria e aponta a resistência das forças curdas sobre a promessa do presidente islamita Ahmed Al-Shaara de unificar o país sob uma única liderança após 14 anos de confronto.

Os Estados Unidos e outras potências mundiais saudaram o cessar-fogo no início da semana, mas as forças curdas se recusaram a deixar Sheikh Maksoud, conforme o acordo. O Exército sírio afirmou que realizaria uma operação terrestre para expulsá-los e vasculhou o bairro neste sábado.

Estados Unidos pede reunião para negociações de paz

O embaixador dos Estados Unidos na Turquia, enviado à Síria, Tom Barrack, disse durante o sábado que se reuniu com o presidente sírio em Damasco e pediu a todas as partes que "exerçam a máxima contenção, cessem imediatamente as hostilidades e retornem ao diálogo".

“O presidente Trump reconhece este momento como uma oportunidade crucial para uma nova Síria — uma nação unificada na qual todas as comunidades, incluindo árabes, curdos, drusos, cristãos, alauítas, turcomanos, assírios e outros, sejam tratadas com respeito e dignidade e tenham participação significativa na governança e nas instituições de segurança”, afirmou Barrack em comunicado feito pelo X, antigo Twitter.

Entenda o conflito

Os combates começaram no auge da chamada “Primavera Árabe”, em 2011, quando manifestantes foram à rua pedir a queda do presidente Bashar al-Assad. Os manifestantes foram recebidos com força letal pelas forças armadas e uma oposição armada se formou a partir de pequenas milícias e desertores do exército sírio.

As forças de oposição foram apoiadas de várias maneiras por potências estrangeiras, incluindo a vizinha Turquia, os gigantes regionais Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, assim como os Estados Unidos.

Conforme a força desses grupos crescia, aliados da Síria começaram a enviar reforços para combate aos rebeldes locais. A Força Aérea Síria foi fortificada com apoio de aviões russos e, pelo solo, o Irã se tornou um aliado, com presença, inclusive, do Hezbollah

Ao lado da oposição, países como a Turquia foram aliados na derrubada do regime. Grupos islâmicos como a Al-Qaeda se interessam em integrar o combate se uniram a grupos considerados moderados, que não aceitavam o envolvimento jihadista.

Durante 2013, surge o Estado Islâmico (EI), grupo terrorista que tomou protagonismo nos confrontos após realizar atentados ao redor do mundo. O EI começou a “varrer” o país e gerou envolvimento dos Estados Unidos no conflito com foco em eliminar o grupo, mas sem se envolver com o regime sírio.

Em 2020, a Rússia e a Turquia concordaram com um cessar-fogo na última província controlada pela oposição, concordando em estabelecer um corredor de segurança com patrulhas conjuntas. Desde então, o episódio atual é o mais sangrento do conflito que reacendeu desde 2024.

(Sob supervisão de Rayllan Oliveira)

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Gustavo Monteiro é estagiário do Portal Itatiaia e estudante de jornalismo na UFMG. Natural de Santos-SP, possui passagens pela Revista B&R e Secretaria do Estado de Minas de Comunicação Social.