Felicidade, morte, maconha: relembre grandes frases de Mujica
Político importante para a esquerda latino-americana, ele foi um dos responsáveis por reformar o Uruguai e avançar em pautas importantes para o eleitorado progressista

Veja frases de Mujica sobre vários temas
Ecologia e política
A grande crise não é ecológica, é política (...) Temos que perceber que a crise hídrica e da agressão ao meio ambiente não é a causa. A causa é o modelo de civilização que construímos. E o que temos que repensar é a nossa forma de viver.
Utopia
Minha história pessoal: a de um jovem que, assim como outros, quis mudar sua época, seu mundo, o sonho de uma sociedade libertária e sem classes. Meus erros são, em parte, filhos do meu tempo. Obviamente, os assumo. Mas às vezes eu grito com nostalgia: 'Quem me dera ter a força de quando éramos capazes de beber de tanta utopia!'
Consumismo
Arrasamos as selvas verdadeiras e implantamos selvas anônimas de cimento. Enfrentamos o sedentarismo com andadores; a insônia com comprimidos, a solidão com a eletrônica. Somos felizes longe do eterno humano? Cabe fazer esta pergunta. Aturdidos, fugimos da nossa biologia, que defende a vida pela própria vida como causa superior, e a suplantamos pelo consumismo funcional ao acúmulo.
Milagre da vida
Pensem que a vida humana é um milagre, que estamos vivos por milagre e que nada vale mais do que a vida.
Essa velha é pior do que o caolho. Ele era mais político, essa é mais teimosa.
Maconha
A maconha é um vício perigoso. Como qualquer vício, não é boa. Não aceito isso de dizer que é melhor do que o cigarro.
A tese central é tomar o mercado do narcotráfico e tentar identificar um público que consome, e que é clandestino, para não deixá-lo para o narcotráfico. E quando detectarmos que esse grupo está cruzando a linha, podermos atendê-lo como doente.
Aplicamos um princípio muito simples: reconhecer os fatos. O aborto é antigo como o mundo. O casamento gay, por favor, é mais antigo do que o mundo.
Já não sou um presidente pobre. Não vivo na pobreza, vivo com austeridade, com renúncia. Preciso de pouco para viver.
Deram-nos a fama de presidente pobre. Não somos pobres, somos comedidos. Se tenho muito, tenho que perder muito tempo cuidando dessas coisas. Se tenho o suficiente, vivo leve e me sobra mais tempo.
Vivi muitos anos sozinho, em um calabouço. Teve noites em que, quando colocavam um colchão, eu ficava feliz. Repensei tudo. Se você não carrega a felicidade dentro de si e não é feliz com pouco, não é feliz com nada.
Odiar
Eu tenho minha boa quantidade de defeitos, sou passional, mas no meu jardim faz décadas que não cultivo o ódio, porque aprendi uma dura lição que a vida me impôs: que o ódio acaba nos estupidificando (...) O ódio é cego como o amor, mas o amor é criador e o ódio nos destrói. Uma coisa é a paixão, outra coisa é cultivar o ódio. Já passei por tudo na vida. Ficar seis meses amarrado com arame, com as mãos nas costas. Me sujar todo por não aguentar mais dentro de um caminhão (...) Ficar dois anos sem que me levassem para tomar banho e ter que me lavar com uma caneca de água e um lenço. Já passei por tudo, mas não tenho ódio de ninguém.
Vencer
Vencer na vida não é ganhar, é se levantar e recomeçar a cada queda.
Morte
Na minha vida, mais de uma vez a morte rondou a minha cama. Desta vez, parece que vem com a foice em punho, vamos ver o que acontece. Enquanto isso, enquanto eu puder, vou seguir militando com meus companheiros, fiel ao meu modo de pensar e entretido com minhas hortaliças, com minhas galinhas, porque não se troca de pangaré no final do rio — sempre fui um torrão com patas e amo a terra. E enquanto o filme durar, eu vou estar por aqui.
A vida é tão bela que não faz sentido sacrificá-la por motivos estúpidos. No mais, sou grato.
Fim
Meu ciclo se encerrou. Sinceramente, estou morrendo. O guerreiro tem direito ao seu descanso.
Com APF
Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.



