Estudo alerta para 'corrida armamentista nuclear' após recorde de gastos em 2025
Relatório da Ican alerta para corrida armamentista planejada para durar décadas; EUA lideram investimentos que superam o orçamento de 32 anos da ONU

O fantasma da Guerra Fria voltou com força total. Em um cenário de crescente tensão geopolítica, os nove países detentores de armas nucleares elevaram os investimentos a patamares inéditos. Segundo o novo relatório da Campanha Internacional para Abolir as Armas Nucleares (Ican), os gastos globais com esses arsenais atingiram o recorde de US$ 119 bilhões (cerca de R$ 615 bilhões) em 2025, um aumento de US$ 17 bilhões em apenas um ano.
Especialistas alertam que o mundo não está apenas diante de um pico temporário, mas sim do início de uma nova corrida armamentista estruturada para durar até o próximo século. Para Susi Snyder, diretora de programas da ICAN, o cenário é alarmante, especialmente quando somado ao temor do uso de Inteligência Artificial no controle dessas armas. "Estou apavorada", desabafou à AFP.
O paradoxo das ogivas: menos armas, mais prontidão
Os dados da ICAN ganham o respaldo do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI). De acordo com a instituição, embora o número total de ogivas no planeta venha caindo nas últimas décadas (atualmente em 12.187), o perigo real aumentou: o número de munições totalmente disponíveis e prontas para uso imediato subiu para 9.745.
Quem financia a corrida nuclear?
O levantamento revela que todas as nove potências atômicas (EUA, China, Reino Unido, Rússia, França, Índia, Israel, Coreia do Norte e Paquistão) abriram os cofres. No entanto, os Estados Unidos lideram com uma vantagem avassaladora, gastando mais do que todas as outras nações somadas.
O ranking dos maiores gastos em 2025:
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Estados Unidos: US$ 69,2 bilhões (R$ 358 bilhões)
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China: US$ 13,5 bilhões (R$ 70 bilhões)
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Reino Unido: US$ 12,6 bilhões (R$ 65,14 bilhões)
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Rússia: US$ 9,5 bilhões (R$ 49 bilhões)
Planos para o próximo século
O que mais preocupa a comunidade internacional é o planejamento de longo prazo. Países como EUA, Reino Unido e França estão desenhando orçamentos bilionários para manter sistemas ativos até o século XXII.
Nos EUA, os novos mísseis intercontinentais Sentinel são projetados para operar além do ano 2100. Já a nova produção de núcleos de plutônio deve estender a vida útil das ogivas americanas até 2120. Apenas entre 2025 e 2034, a projeção de gastos dos EUA beira US$ 1 trilhão.
'Desconexão com a realidade'
A Ican destaca o forte contraste entre os investimentos militares e as crises sociais do planeta. O montante global gasto em armas nucleares em 2025 seria suficiente para financiar 32 anos do orçamento operacional da ONU. Além disso, o valor queimado em arsenais em apenas um dia seria capaz de garantir a segurança alimentar de 2 milhões de pessoas.
"Os Estados investem em um arsenal que eles mesmos sabem que não podem usar sem cometer um crime de guerra", criticou Snyder.
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