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Estudante que teve câncer por morder a língua tem órgão reconstruído com músculos da perna; fotos

Jovem revela que mordia língua por estresse, o que causou úlceras e mais tarde teve diagnóstico de câncer

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Após ser curada da doença, Rachel Morton se dedica a ajudar pessoas com câncer
Após ser curada da doença, Rachel Morton se dedica a ajudar pessoas com câncer  • Reprodução

A estudante de medicina Rachel Morton, de 21 anos, passou por uma cirurgia de reconstrução da língua após diagnóstico de câncer. Para o procedimento, que durou cerca de 16 horas, a equipe médica usou músculos e vasos sanguíneos da própria perna da jovem, além de artérias e veias de seu pescoço. As informações são do The Mirror.

Ao descobrir o câncer, Rachel, que mora em Edimburgo, na Escócia, passou por dez cirurgias diferentes para quebrar o maxilar, remover dois terços de sua língua e gânglios linfáticos. Agora, com o procedimento, a jovem conseguirá se comunicar.

Ao Mirror, ela explicou que precisou reaprender a andar e falar. Durante a luta contra o câncer, ela fez duas sessões de quimioterapia, 30 de radioterapia e seis meses de fonoaudiologia.

"A biópsia foi provavelmente uma das piores experiências de tudo - foi absolutamente horrível. Você está deitado lá, eles obviamente te anestesiam, mas é o som da tesoura cortando sua língua porque é um músculo muito forte, realmente precisou de muita força”, relembra.

Rachel possui várias cicatrizes, incluindo uma 'semelhante a Harry Potter' no queixo, uma de traqueostomia e outras no pescoço, estômago e perna. "Gosto muito das minhas cicatrizes. É muito importante incorporá-las como [parte de] quem eu sou e me sinto muito orgulhosa”, disse.

"Eu não costumo usar tanta maquiagem porque não quero cobrir minhas cicatrizes e [não quero] sentir que tenho que [cobri-las], porque é o que é. Sinto orgulho do meu corpo por ter superado isso. Minhas cicatrizes fazem parte de mim e ficarão para o resto da minha vida, e isso mostra o quão resiliente, forte e poderoso meu corpo é, e eu quero reflita isso dentro de mim e faça justiça a mim mesmo”, acrescenta.

Após a doença, ela começou a trabalhar em uma entidade sem fins lucrativos para alertar e ajudar pessoas com câncer. Apenas neste mês, com a ajuda de alguns amigos, ela arrecadou mais de R$ 20 mil para ajudar uma instituição de caridade que dá suporte a pessoas com a doença.

Descoberta

A doença foi descoberta após Rachel sofrer algumas úlceras devido ao estresse. Com o passar do tempo, as feridas não só persistiram como pioraram. Ela conta que um lado da língua ficou coberto e deformado.

A estudante também notou que estava mais cansada e com os lábios secos, vermelhos e inchados, além de sentir fortes dores nas amígdalas. Ela recorda que o lado esquerdo do rosto também estava diferente.

Após consultas, ela teve o diagnóstico de câncer de língua em 2020, quando tinha 19 anos. “No começo eram algumas úlceras, mas ao longo de um ano elas cresceram e se espalharam, cobrindo todo o lado da minha língua. Elas estavam muito vermelhas, em carne viva e doloridas. Passei pelo processo de passar por várias pessoas [médicas] diferentes e não fui realmente atendido e, a certa altura, um médico disse 'na verdade não há mais nada que possamos fazer'”, contou.

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Patrícia Marques é jornalista e especialista em publicidade e marketing. Já atuou com cobertura de reality shows no ‶NaTelinha” e na agência de notícias da Associação Mineira de Rádio e Televisão (Amirt). Atualmente, cobre a editoria de entretenimento na Itatiaia.