Belo Horizonte
Itatiaia

Eleições na África do Sul: partido de Mandela lidera, mas perde maioria pela 1ª vez na história

Congresso Nacional Africano caiu de 57% para 40% dos votos no país sul-africano entre 2019 e 2024 e busca coalizão para se manter no poder

Por
Eleitores sul-africanos foram às urnas nesta semana para escolher o novo presidente • Divulgação / Governo África do Sul

No poder desde 1994, quando Nelson Mandela assumiu a Presidência da África do Sul após o fim do regime do "apartheid", o Congresso Nacional Africano (ANC) perdeu a maioria pela primeira vez nos últimos 30 anos. Com 98,91% das urnas apuradas, o partido de Cyril Ramaphosa obteve 40,29% dos votos. Há cinco anos, a legenda histórica do maior líder sul-africano havia obtido o apoio de 57,5% dos eleitores do país.

O resultado é o pior da história e vai obrigar os líderes do ANC a se mover para a construção de uma coalizão capaz de governar a África do Sul e manter a hegemonia.

"Temos conversado com todos, mesmo antes das eleições", disse na sexta-feira (31) a vice-secretária-geral do ANC, Nomvula Mokonyane, afirmando que o órgão de decisão do partido definiria o rumo a seguir após o anúncio dos resultados finais. "Tudo deve ser baseado em princípios e não em um ato de desespero", acrescentou.

Em segundo lugar, a Aliança Democrática (DA, na sigla em inglês, de centro liberal) obteve 21,64%. Na sequência aparecem o partido Umkhonto We Sizwe (MK), criado há apenas seis meses pelo ex-presidente Jacob Zuma — que deixou o Congresso Nacional Africano — angariou 14,7% dos votos até o momento. Em quarto lugar, o Economic Freedom Fighters, partido da esquerda radical conseguiu o apoio de menos de 10% dos eleitores sul-africanos.

Partido de Mandela busca opções

Desde 1994, quando Nelson Mandela ascendeu ao poder como primeiro presidente da República da África do Sul, outros quatro líderes — todos do partido Congresso Nacional Africano — ocuparam o mais alto cargo do país: Thabo Mbeki (1999-2008), Kgalema Motlanthe (2008-2009), Jacob Zuma (2009-2018) e Cyril Ramaphosa (desde 2018).

O atual presidente tem a missão, a partir de agora, de costurar alianças à esquerda ou à direita para manter a sustentação do governo.

À direita, a opção seria a Aliança Democrática, segundo colocado no pleito. A legenda é liderada por um político branco (John Steenhuisen), que defende o livre mercado e o fim de programas socioeconômicos voltados à população negra — o que enfrenta resistências na base de apoio do Congresso Nacional Africano. Desde Mandela todos os presidentes da África do Sul foram políticos negros.

Outra opção seria a retomada de uma aliança com o ex-presidente Jacob Zuma, cujo mandato ficou marcado por denúncias de corrupção e pelo rompimento com o próprio partido. Ele fundou uma nova legenda que, surpreendentemente, conseguiu um bom resultado nas eleições gerais, ficando em terceiro lugar.

À esquerda, a opção é pelo Economic Freedom Fighters, partido também fundado por dissidentes do Congresso Nacional Africano.

(com informações da AFP)

Por

Editor de política. Foi repórter no jornal O Tempo e no Portal R7 e atuou no Governo de Minas. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem MBA em Jornalismo de Dados pelo IDP.