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Chanceler dinamarquês diz que Trump 'tem desejo de conquistar a Groenlândia'

Posicionamento de Lars Løkke Rasmussen aconteceu após uma reunião na Casa Branca, com autoridades do país nórdico, dos Estados Unidos e da Groenlândia

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Ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen
Ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen • Reprodução / Ministry of Foreign Affairs of Denmark

O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, disse que o país nórdico e os Estados Unidos têm um "desacordo fundamental" sobre a Groenlândia. A fala foi divulgada à imprensa após uma reunião na Casa Branca com autoridades dos países, nesta quarta-feira (14).

"Não conseguimos mudar a posição dos Estados Unidos. Está claro que o presidente tem o desejo de conquistar a Groenlândia. E deixamos muito, muito claro que isso não beneficia o reino (da Dinamarca)", afirmou o ministro.

Rasmussen ainda destacou que a apropriação norte-americana da Groenlândia não é "de forma alguma necessária", como afirmou o presidente Donald Trump.

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A autoridade dinamarquesa pediu a Washington que coopere de forma "respeitosa" em relação à ilha ártica controlada por Copenhague.

Na última terça-feira (13), o premiê da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, afirmou ao lado da primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, que os groenlandeses preferem permanecer com a Dinamarca.

Qual é o status da Groenlândia hoje?

A ilha, antiga colônia da Dinamarca, tornou-se um território formado pelo reino nórdico em 1953 e, desde então, está sujeita à Constituição dinamarquesa.

Dois anos antes, um acordo entre os EUA e a Dinamarca concedeu a Washington o direito de circular livremente e construir bases militares no território, desde que Copenhague e a Groenlândia sejam notificadas.

Em 2009, a ilha recebeu ampla autonomia de autogoverno, incluindo o direito de declarar independência da Dinamarca por meio de um referendo aprovado pela população e por um um acordo de independência entre a Dinamarca e a Groenlândia, que exigiria o consentimento do parlamento dinamarquês.

Pesquisas mostram que a maioria dos 57 mil habitantes da Groenlândia apoia a independência. Porém, muitos alertam contra ações precipitadas que podem expor o país aos EUA.

Desejo de Trump

Trump reiterou, no último domingo (11), que a anexação dos EUA com a Groenlândia aconteceria “de alguma forma ou outra”, afirmando que “precisa de um título de propriedade”. Na quarta (7), o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse a parlamentares que o presidente deseja comprar a Groenlândia em vez de invadi-la.

O desejo do presidente norte-americano já havia sido divulgado no ano passado. Em dezembro, o republicano disse que Washington precisa da Groenlândia para a segurança nacional. Ele ainda havia reconhecido que poderia ter que escolher entre preservar a integridade da aliança militar ou controlar o território dinamarquês.

    A localização estratégica e os recursos da Groenlândia poderiam beneficiar os EUA. A região fica na rota mais curta da Europa para a América do Norte, o que pode ser crucial para o sistema de alerta de mísseis balísticos do país, por exemplo.

    A expansão militar na ilha ártica pode incluir a instalação de radares para monitorar as águas entre a ilha, a Islândia e a Grã-Bretanha, utilizadas por navios da marinha russa e submarinos nucleares.

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    Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.