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Câmara dos EUA contraria Trump e aprova pacote de apoio à Ucrânia

Pacote aprovado por 226 votos a 195 prevê recursos militares para Kiev, tarifas sobre produtos russos e novas sanções aos setores estratégicos da economia de Moscou

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Donald Trump em um palanque, com microfone, na frente de uma bandeira dos EUA
Reprodução/X President Donald J. Trump

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta quinta-feira (4) um projeto de lei que amplia o apoio à Ucrânia e endurece as sanções contra a Rússia. A proposta foi aprovada por 226 votos a 195 e representa a primeira grande iniciativa do Congresso norte-americano relacionada ao conflito durante o segundo mandato do presidente Donald Trump.

O resultado expôs divisões dentro do Partido Republicano. Apesar da orientação da liderança da legenda para votar contra o texto, 18 parlamentares republicanos se uniram aos democratas e garantiram a aprovação da medida. O presidente da Câmara, Mike Johnson, havia defendido que o Congresso aguardasse os desdobramentos das negociações conduzidas por Trump com a Rússia antes de avançar com novas ações relacionadas à guerra. Ainda assim, um grupo de republicanos moderados articulou apoio à proposta e conseguiu levá-la ao plenário.

O projeto prevê novas sanções contra autoridades, instituições financeiras e empresas russas ligadas aos setores de petróleo, gás e mineração. O texto também estabelece tarifas de 500% sobre produtos russos importados pelos Estados Unidos e mantém a proibição da compra de petróleo bruto proveniente da Rússia.

Além das medidas econômicas, a proposta autoriza US$ 8 bilhões em vendas de armamentos para a Ucrânia e prorroga um programa de empréstimo e arrendamento militar criado durante o governo de Joe Biden. A votação ocorreu em meio ao agravamento dos confrontos entre Rússia e Ucrânia e diante das dificuldades do governo Trump em avançar com a promessa de buscar uma solução rápida para o conflito. Nos últimos meses, a política externa da Casa Branca esteve concentrada principalmente na crise envolvendo o Irã, enquanto a guerra no Leste Europeu continuou sem sinais de resolução.

Para chegar ao plenário, o projeto precisou superar a resistência da liderança republicana por meio de um mecanismo parlamentar que permite contornar a direção da Câmara e forçar a apreciação de determinadas propostas. A articulação reuniu o número mínimo de assinaturas exigido após meses de negociações entre parlamentares dos dois partidos.

Apesar da aprovação na Câmara, o futuro da proposta ainda é incerto no Senado. Para avançar, o texto precisará reunir apoio suficiente para superar a barreira de 60 votos exigida nas votações mais relevantes da Casa. Se também for aprovado pelos senadores, o projeto se tornará a principal iniciativa legislativa dos Estados Unidos voltada à guerra entre Rússia e Ucrânia desde o pacote de ajuda suplementar aprovado pelo Congresso em 2024.

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