Belo Horizonte
Itatiaia

Com chegada do furacão Milton, brasileiros decidem evacuar casas mesmo sem ordem: 'a gente sente medo'

Furacão Milton está previsto para atingir a costa da Flórida na noite desta quarta-feira (9); apenas moradores das áreas litorâneas receberam o aviso de evacuação

Por
Furacão Milton causou transtornos à Flórida • AFP

O furacão Milton deve chegar à costa da Flórida, nos Estados Unidos, em algumas horas. Classificado com a categoria 4, o fenômeno pode causar ventos de até 250 km/h, além de inundações nas regiões litorâneas. A cidade de Tampa será a primeira a ser atingida, o que deve acontecer ainda nesta noite.

O município está dividido em cinco zonas de evacuação: A, B, C, D e E. No entanto, apenas quem mora nas áreas A e B são obrigados a deixarem suas casas. “Posso dizer sem qualquer drama: se vocês escolherem ficar em uma dessas áreas de evacuação [A ou B], vocês vão morrer”, disse Jane Castor, a prefeita de Tampa.

"A minha região não tinha qualquer sinalização de evacuação. Era apenas a questão da proteção, poque ia ficar sem luz e água. Por conta dessa necessidade, nós optamos por sair de lá antes que tivesse um alerta para que a região fosse evacuada. A gente sente medo, a gente sente medo pela família, né? Se fosse solteiro, eu até arriscaria ficar. Mas tendo família, um bebê de um ano e meio, não tem como colocar a família em uma situação de perigo, que você não tem controle", afirmou Felipe.

"Quando tem algum sinal de furacão, o americano já tem o hábito de abastecer, o que causa falta de combustível, e de comprar água e alguns alimentos. Então, os supermercados acabam ficando vazios. Num primeiro momento, nós deixamos o carro abastecido e já nos preparamos para uma eventualidade. Um trajeto que demora 3h, 3h30, nós fizemos ele em 5h30 a 6h. A viagem se estendeu um pouco porque pegamos um pouco mais de trânsito, mas nada comparado as pessoas que saíram diretamente de Tampa", disse.

"Hoje eu moro em um apartamento, no Centro da cidade, bem próximo ao porto, à baía, do rio. Então, achei mais prudente sair de casa mesmo porque eles já iam desligar elevadores, a gente não sabe se ia ter eletricidade. Houve bastante enchente nos entorno de onde eu moro por causa do Helene, um outro furacão que passou na Flórida e acabou atingindo a gente por conta da ressaca do mar. Então, a gente teve muita entrada de água na nossa área. Eu tradicionalmente iria para a casa do meu pai, que é mais ao Norte de Tampa, onde está minha irmã hoje. Mas, como eu já tinha uma viagem programada para o Brasil, eu decidi adiantá-la", revelou.

Por

Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.