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'Bordel cibernético': entenda como funciona negócio com IA que pode reforçar vício

Assunto tem gerado discussões entre críticos e defensores; novo negócio vai proporcionar a oportunidade de interagir verbalmente e fisicamente com 'pessoas' criadas pela IA

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Série da Netflix, Better Than Us Arisa; a história se passa em 2029, em um mundo onde andróides servem aos humanos em diversas posições, até mesmo substituindo-os em muitos trabalhos braçais. • Foto: Divulgação / Netflix

A tecnologia se aliou a mais um novo mercado, o entretenimento adulto. No fim deste mês, as pessoas em Berlim, na Alemanha, poderão reservar uma hora com uma boneca sexual de IA - Inteligência Artificial -, quando o primeiro bordel cibernético do mundo lançar o serviço. Vários testes foram feitos.

“Muitas pessoas se sentem mais confortáveis em compartilhar assuntos privados com uma máquina porque ela não julga”, diz Philipp Fussenegger, fundador e proprietário da Cybrothel, em entrevista a BBC.

Fussenegger falou, ainda, sobre a demanda maior por interação com os bonecos.

“Anteriormente, havia um interesse significativo em uma boneca com dubladora, onde os usuários só podiam ouvir a voz e interagir com a boneca. Agora, há uma demanda ainda maior por interação com inteligência artificial.”

Essa, é uma das várias maneiras pelas quais a IA generativa está sendo usada pelo setor de entretenimento adulto. A análise da SplitMetrics revelou que os aplicativos complementares de IA atingiram 225 milhões de downloads na Google Play Store.


Série Better than Us, da Netflix; um robô avançado chamado Arisa é importado da China para a Rússia discretamente.“Espero que mais desenvolvedores de aplicativos observem essa tendência e procurem maneiras pelas quais essa categoria possa ser ainda mais inovadora e monetizada”, disse o gerente geral da SplitMetrics - empresa global de software -, Thomas Kriebernegg, à BBC.

Os companheiros de IA podem ser lucrativos, diz Misha Rykov, pesquisador de privacidade do guia Privacidade não incluída da Mozilla.

“Dado que a maioria dos chatbots cobra taxas e, que a tecnologia principal foi desenvolvida em outro lugar - como Open AI - , parece um negócio de alta margem. Além disso, esses aplicativos coletam dados pessoais e muitas vezes os compartilham com terceiros, como anunciantes – um modelo de negócios testado e comprovado.”

Riscos de dependência

De acordo com o pesquisador, Misha Rykov existe também o risco de dependência, já que os chatbots de IA têm como alvo pessoas solitárias, principalmente homens.

“A maioria dos chatbots de IA que analisamos têm alto potencial viciante e vários danos em potencial, especialmente para usuários com problemas de saúde mental", começou ele.

Ele também indica que já foram encontrados em chatbots menções a assuntos como abuso, violência e pedofilia. Além de ser uma questão da privacidade. Os chatbots de companhia são projetados para coletar "uma quantidade sem precedentes de dados pessoais".

Rykov acrescenta que 90% dos aplicativos analisados pela Mozilla "podem compartilhar ou vender dados pessoais", enquanto mais da metade não permite que os usuários excluam dados pessoais.

Outros alertam sobre os possíveis impactos negativos desse uso da IA nas relações do mundo real

"Algumas dificuldades podem surgir se encontros reais forem profundamente decepcionantes porque não atendem aos padrões estritamente definidos que os usuários experimentam na pornografia de IA", aponta Tamara Hoyton, consultora sênior do serviço de aconselhamento para relacionamentos Relate.

Hoyton acrescenta que, em alguns casos, a pornografia de IA pode levar os usuários a áreas perigosas.

"Não há nada de errado com um pouco de fantasia, e muitas pessoas são despertadas por pensamentos sobre os quais não têm absolutamente nenhuma intenção de agir; a pornografia com IA pode ser vista assim."

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.