Ataque dos EUA à Venezuela matou mais de 100 pessoas, diz governo venezuelano
Ataque culminou na prisão de Nicolás Maduro, ex-ditador da Venezuela; a vice dele, Delcy Rodríguez, assumiu o governo

A presidente interina Delcy Rodríguez afirmou nesta quarta-feira (7) que a relação entre a Venezuela e os Estados Unidos sofreu "uma mácula" após o ataque e a captura de Nicolás Maduro, mas se mostrou disposta a negociar com Washington a venda de petróleo.
O ataque ocorrido no dia 3 resultou em 100 mortes e ferimentos em Maduro e sua esposa, Cilia Flores, como declarou hoje o ministro venezuelano do Interior, Diosdado Cabello. O governo de Donald Trump, por sua vez, afirmou que pretende controlar "indefinidamente" as vendas de petróleo bruto venezuelano e que as decisões de Caracas serão "impostas" por Washington.
Para reafirmar sua influência, os Estados Unidos anunciaram a apreensão de dois petroleiros, um vazio e de bandeira russa, segundo Moscou, e "apátrida", segundo Washington, no Atlântico Norte, além de outro carregado de petróleo sob sanções, no Caribe.
Mácula
"Há uma mácula" na relação bilateral, afirmou Delcy Rodríguez, que assumiu o cargo na véspera e precisará lidar com as pressões internas e dos Estados Unidos. Ela enfatizou, no entanto, que o comércio com os americanos "não é extraordinário nem irregular", após a petroleira estatal PDVSA anunciar uma negociação para vender petróleo bruto aos Estados Unidos.
Em Caracas, que retoma suas atividades, as manifestações convocadas pelo regime se multiplicam na tentativa de retomar a iniciativa, após a operação militar americana de sábado que resultou na captura do agora presidente deposto Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, que estão detidos em Nova York.
EUA 'não estão improvisando'
Sob intensa pressão dos Estados Unidos, Caracas parece querer evitar um confronto direto.
A PDVSA "está conduzindo uma negociação com os Estados Unidos para a venda de volumes de petróleo, no contexto das relações comerciais entre os dois países", indica um comunicado da empresa, que possui um acordo de extração e venda de petróleo, entre outros, com a multinacional americana Chevron.
O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, comentou mais cedo que Washington controlará as vendas de petróleo "indefinidamente".
Além disso, Trump assegurou que a Venezuela adquirirá apenas produtos manufaturados nos Estados Unidos com a receita proveniente dessas vendas.
Trump havia anunciado na terça-feira que o governo interino de Delcy Rodríguez entregaria até 50 milhões de barris de petróleo para sua venda sob a supervisão de Washington.
Washington possui um plano para a Venezuela e "não está improvisando", afirmou no Congresso o secretário de Estado, Marco Rubio.
Esclarecer 'divergências'
A queda de Maduro gerou outras reações diplomáticas, como a primeira conversa entre o presidente colombiano Gustavo Petro e Donald Trump. Ambos combinaram de se encontrar em breve na Casa Branca, segundo mensagem publicada por Trump na plataforma Truth Social.
Petro "me telefonou para explicar a situação das drogas e outras divergências que tivemos. Agradeci por sua ligação e pelo seu tom", comentou Trump.
Os Estados Unidos planejam depositar a receita da venda de petróleo bruto em contas sob seu controle. "Esses fundos serão distribuídos em benefício do povo americano e do povo venezuelano", afirmou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.
"Continuamos a manter uma coordenação próxima com as autoridades interinas, e suas decisões continuarão sendo determinadas pelos Estados Unidos", acrescentou Karoline.
Trump se reunirá com as petroleiras americanas na próxima sexta-feira, na Casa Branca, para discutir "a imensa oportunidade que têm" na Venezuela, disse a porta-voz.
"Não estamos confiscando o petróleo de ninguém", declarou o secretário de Energia. A China é, até o momento, o principal comprador do petróleo venezuelano, que chegava a seus portos a preços descontados devido às sanções americanas e à dificuldade de transporte.
O preço do petróleo apresentou uma leve queda nos mercados internacionais nesta quarta-feira (7).
Equilíbrio difícil
Especialistas indicam que, para se manter no poder, Delcy Rodríguez precisará buscar um delicado equilíbrio entre atender às exigências de Trump e reorganizar um chavismo sem Maduro.
Por enquanto, ela manteve em seu gabinete os influentes ministros do Interior, Diosdado Cabello, e da Defesa, Vladimir Padrino, figuras-chave da administração anterior.
Na terça-feira, fez suas primeiras mudanças: nomeou como chefe da guarda presidencial um ex-chefe do serviço de inteligência (Sebin), que por sua vez controlará a temida agência de contrainteligência militar (DGCIM).
Além disso, designou Calixto Ortega como chefe da equipe econômica, cargo que havia sido deixado vago pela própria Rodríguez ao assumir a presidência.
Seu governo interino tem um prazo máximo de 180 dias, após o qual será necessário convocar eleições.
*Com AFP
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