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Argentina: 'Posso morrer presa', diz ex-presidente condenada por corrupção

Cristina Kirchner, presa desde o ano passado, enfrenta novo julgamento que a acusa liderar grupo de suborno

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Ex-presidente da Argentina, Cristina Krischner • José Cruz/Agência Brasil

A ex-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, que cumpre prisão domiciliar por corrupção, diz acreditar que pode "morrer presa" devido ao Poder Judiciário do país sul-americano. A declaração foi feita nesta terça-feira (17), quando a ex-chefe do Executivo participou de uma audiência em outro processo, no qual é acusada de integrar uma suposta rede de subornos entre políticos e empresários nos anos 2000.

Kirchner, de 73 anos, classificou os dois processos judiciais como "práticas mafiosas entre juízes e promotores", que tiveram como objetivo anular a influência política dela, opositora do atual presidente Javier Milei. 

Desde junho do ano passado, Cristina Kirchner cumpre pena de seis anos de prisão e usa tornozeleira eletrônica. Neste segundo processo, a acusação aponta que a ex-presidente foi "a principal destinatária" de um esquema iniciado durante o governo do marido dela e antecessor, Néstor Kirchner.

Além dela, outros 85 ex-funcionários e empresários são acusados de formar uma "associação criminosa" entre 2003 e 2015 para receber propinas em contratos de obras públicas.

"Agora resulta que sou a chefe de uma associação criminosa com todos os empresários da República Argentina", afirmou Kirchner, com ironia. "Sério? Têm o direito de perseguir, porque a história agora se alimenta de perseguições, mas, por favor, sejam mais coerentes", acrescentou a ex-presidente.

O principal elemento da acusação são anotações manuscritas de um motorista do extinto Ministério do Planejamento Federal sobre supostos pagamentos, que a defesa considera falsas.

Durante a audiência em Buenos Aires, Kirchner ainda acusou Milei de violar a Constituição da Argentina, relembrando que o presidente afirmou, há duas semanas, que ela "vai continuar presa". A defesa apresentou diversos pedidos de nulidade, mas todos foram rejeitados pelo magistrado.

Kirchner deixou o tribunal sem responder às perguntas, afirmando que se recusa a "fazer parte deste circo". Centenas de apoiadores da líder política se reuniram na residência dela com bandeiras da Argentina. Uma grande faixa escrita "Cristina livre" foi colocada na rua.

O julgamento pode se estender e não ser concluído neste ano, visto que mais de 100 testemunhas estão previstas para serem escutadas. Se for considerada culpada, Kirchner pode ser condenada a até 10 anos de prisão.

*Com informações da AFP. 

PorEstudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.