Ajuda humanitária chega a Cuba, mergulhada em crise após bloqueio de Trump
Chegada foi marcada por um forte simbolismo político: ao cruzar o canal da Baía de Havana, ativistas renomearam a embarcação como 'Granma 2.0'

Sob o impacto de uma severa crise energética e de um bloqueio de combustível imposto pelos Estados Unidos, Cuba recebeu, nesta terça-feira (24), a primeira embarcação de uma flotilha internacional carregada com suprimentos essenciais. O barco de pesca "Maguro" atracou no porto de Havana com três dias de atraso, após enfrentar ventos fortes e correntes adversas em sua trajetória partindo do México.
A chegada foi marcada por um forte simbolismo político: ao cruzar o canal da Baía de Havana, ativistas renomearam a embarcação como "Granma 2.0", em uma referência direta ao iate utilizado por Fidel Castro na Revolução de 1956. No convés e no cais, manifestantes exibiam faixas com os dizeres "Deixe Cuba Viver" e entoavam coros contra o embargo norte-americano.
A iniciativa faz parte do comboio internacional "Nossa América", que planeja entregar um total de 50 toneladas de ajuda, incluindo alimentos, medicamentos e painéis solares. Embora os primeiros carregamentos tenham chegado por via aérea na semana passada, provenientes da Europa, América Latina e Estados Unidos, o esforço marítimo ainda aguarda a chegada de outros dois barcos. Segundo os organizadores, o objetivo é mitigar o sofrimento da população diante do embargo de petróleo endurecido pelo governo de Donald Trump em janeiro. No entanto, o movimento enfrenta resistência de críticos e exilados cubanos em Miami, que classificam a missão como um "espetáculo político" destinado a favorecer o governo comunista em vez dos cidadãos comuns.
O cenário na ilha é crítico, com o registro de sete apagões nacionais desde 2024 — sendo dois apenas na última semana. A infraestrutura elétrica, composta por usinas obsoletas, foi duramente atingida pela escassez de combustível, agravada pela interrupção do fornecimento de petróleo da Venezuela. Principal parceira de Cuba há 25 anos, a Venezuela suspendeu os envios em janeiro após a queda de Nicolás Maduro em uma intervenção militar dos EUA.
Sem receber carregamentos desde 9 de janeiro, Cuba viu seu setor elétrico colapsar, o transporte público ser reduzido e voos internacionais cancelados, o que golpeou drasticamente a indústria do turismo. Enquanto isso, o navio-tanque "Sea Horse", que se acreditava estar transportando diesel russo para a ilha, foi localizado hoje na costa venezuelana, frustrando expectativas de alívio imediato.
David Adler, coordenador da Progressive International e organizador do comboio, afirmou à AFP que a missão demonstra que a solidariedade internacional pode superar o isolamento forçado. O "Maguro" partiu da Península de Yucatán com 32 pessoas a bordo, representando nações como Brasil, México, Itália, Equador, Austrália e EUA, contando ainda com escolta parcial da Marinha mexicana.
Entre os tripulantes, os brasileiros Thiago Ávila e Lisi Proença destacaram que a experiência foi inspirada em flotilhas humanitárias anteriores, como a enviada a Gaza no ano passado. Para os ativistas, a mobilização é uma resposta direta à "ganância" das políticas de Trump, permitindo o transporte de itens de grande porte, como painéis solares, para auxiliar na autonomia energética da ilha.
Com informações de AFP
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