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A China sabe mais sobre o covid-19 e precisa cooperar, diz OMS

Cientistas e dirigentes americanos defendem a hipótese de uma fuga em um laboratório na mesma localidade do gigante asiático

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Tedros pede mais informações da China
Tedros Adhanom Ghebreyesus escapou por pouco da morte durante bombardeio israelense em aeroporto no Iêmen • Fabrice COFFRINI / AFP

A China tem mais dados científicos ainda não revelados que permitiriam entender melhor as origens da covid-19, revelou, nesta quinta-feira (6), a Organização Mundial de Saúde (OMS), em outro pedido por mais transparência do gigante asiático sobre esta questão.

"Sem um acesso completo às informações de que a China dispõe (...) todas as hipóteses (sobre a origem do coronavírus) seguem sobre a mesa. É a posição da OMS e, por esse motivo, pedimos à China que coopere", disse Tedros Adhanon, diretor-geral dessa agência da ONU, durante uma coletiva de imprensa em Genebra. "Se cooperarem, saberemos o que aconteceu e como começou", acrescentou.

"Sabemos que (a China) dispõe de informações suplementares e necessitamos que os cientistas, os profissionais da saúde pública e os governos compartilhem essas informações. Não é um jogo", afirmou a doutora Maria Van Kerkhove, que dirige a luta contra a covid-19 na OMS, durante a mesma coletiva.

Três anos após o surgimento da covid-19, os debates sobre as origens da pandemia continuam. A maior parte da comunidade científica considera que o coronavírus surgiu a partir de um animal que o transmitiu para um ser humano, provavelmente no mercado de Huanan na cidade de Wuhan, no centro-oeste da China.

Cientistas e dirigentes americanos, no entanto, defendem a hipótese de uma fuga em um laboratório na mesma localidade do gigante asiático. A China se opõe a esta teoria, porém, por muito tempo, também negou que houvesse animais capazes de transmitir o vírus no mercado de Huanan.

No entanto, segundo novos dados chineses, publicados no final de janeiro e rapidamente suprimidos, há provas moleculares da venda de animais no mercado.

"Tínhamos dúvidas sobre isso, mas agora dispomos da prova", afirmou Van Kerkhove. "Também sabemos que, entre as amostras com um diagnóstico positivo do SARS-Cov-2, havia DNA de animais", acrescentou.

Porém, segundo esta epidemiologista americana, enquanto todos os dados científicos não estiverem disponíveis, não se pode descartar nenhuma hipótese sobre a origem do covid-19.

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