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Milei faz operação para evitar obstrução de ruas durante protesto em Buenos Aires

Novo governo da Argentina quer proibir manifestações que obstruem as vias públicas e promove inspeção de veículos

O novo presidente da Argentina, Javier Milei, enfrenta nesta quarta-feira (20), dez dias após a posse no cargo, a primeira manifestação em oposição ao seu governo, em Buenos Aires.

Nos últimos dias, o governo emitiu decretos proibindo que protestos obstruem as vias públicas da cidade e ameaçando cortar benefícios sociais dos manifestantes envolvidos.

A ministra do Capital Humano, Sandra Petto Vello, disse que “todos aqueles que tenham promovido, instigado, organizado ou participado dos atos vão perder qualquer tipo de diálogo com o Ministério de Capital Humano”.

“Quem bloqueia, não recebe”, disse o presidente Javier Milei, dias atrás.

A atitude do governo argentino tem sido comparada pela oposição à regimes autoritários e ditatoriais.

“Prova de fogo”

A manhã desta quarta-feira (20) começou tensa na Argentina com a primeira “prova de fogo” do governo Milei para testar o rigoroso protocolo de atuação das forças de segurança para evitar bloqueios de ruas.

A manifestação foi convocada por organizações sociais e de esquerda no centro de Buenos Aires, em homenagem às 39 mortes ocorridas durante a crise econômica de 2001, no qual três presidentes argentinos renunciaram em um período de aproximadamente duas semanas.

De acordo com o jornal “La Nación”, a ex-candidata à presidência e atual ministra de Segurança, Patricia Bullrich, monitora desde cedo a operação implementada por agentes da Polícia Federal, da Gendarmería Nacional e da Prefectura Naval nos acessos à Capital e nas estações de trem.

Em frente à Casa Rosada, local marcado para encerrar a marcha, a Casa Militar (órgão equivalente ao GSI, no Brasil) instalou uma cerca para evitar invasões e depredações à sede do governo argentino.

Os oficiais estão confiscando bastões, revistando veículos e verificando documentos para desencorajar a participação de manifestantes no protesto. Vídeos das blitz interceptando ônibus em Buenos Aires estão circulando desde cedo nas redes sociais.

“Estamos travando uma batalha cultural”, disse Bullrich em um vídeo institucional, onde aparece no centro de monitoramento da Polícia Federal, a poucos metros da Avenida 9 de Julho.

De acordo com o La Nación, até as 13h30, às forças de segurança haviam retido apenas dois ônibus em infração. Um deles não estava habilitado para transportar passageiros.

Na cúpula do governo, eles suspeitam que a campanha de comunicação (“quem corta não recebe”) e os rigorosos controles de acesso à cidade enfraqueceram a convocação de grupos de esquerda.

A Casa Rosada criou uma linha telefônica onde os beneficiários de assistência-social podem denunciar se forem obrigados a participar das marchas. Segundo informou o governo, foram recebidas mais de 8 mil denúncias e um total de 660 foram classificadas como relevantes.

O novo protocolo de Bullrich só pode ser aplicado nos territórios sob jurisdição federal, portanto, a fiscalização das manifestações desta quarta-feira (20) está sob o comando do prefeito de Buenos Aires, Jorge Macri.

As forças federais só entrarão em ação se a Polícia da Cidade se vir sobrecarregada e houver um pedido formal das autoridades ao governo Milei.

O secretário de Segurança da Cidade afirmou ao jornal Clarín que o balanço da operação, até agora, é positivo: ‘O balanço é positivo porque não bloquearam a Avenida 9 de Julho, o Metrobus, não bloquearam o trânsito dos metrôs e não há detidos. Até agora está indo muito bem’.

“Não vamos permitir estado de sítio”

Mesmo com toda a operação monta pelo governo federal, organizações de esquerda marcham para a Praça de Maio, em Buenos Aires, com a participação de cerca de 30 mil pessoas, de acordo com o jornal Clarín.

O líder do Partido Obrero, Eduardo Belliboni, desafiou a ministra da Segurança, Patricia Bullrich, que elaborou o protocolo para evitar o bloqueio de rodovias.

“Vamos nos mobilizar pelas ruas, onde vamos colocar 50 mil pessoas?”, perguntou ao jornal Clarín.

Belliboni disse que a marcha seria uma “enorme mobilização pelas liberdades democráticas”. “Não vamos permitir que a ministra Patricia Bullrich declare o estado de sítio”, afirmou.

A marcha começou na Avenida Belgrano, no centro de Buenos Aires. Os manifestantes foram recebidos por um forte contingente policial, que impediu que eles descessem para a rua.

De acordo com a imprensa local, militantes do MST confrontaram a Polícia da Cidade no início da caravana cortando a Diagonal Norte. Houve correrias, uma tentativa de detenção e agressões à polícia.

Os manifestantes marcham pela rua, completamente bloqueada, em direção à Praça de Maio, onde fica a Casa Rosada.

A marcha foi vista como uma demonstração de força das organizações de esquerda, que continuam a se opor ao governo de Javier Milei.

Formado em Jornalismo pela UFMG, com passagens pelo jornal Estado de Minas/Portal Uai. Hoje, é repórter multimídia da Itatiaia.
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