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Julgamento da Malaysia Airlines: o que aconteceu com o avião que desapareceu?

Dez anos após o desaparecimento do voo MH370, a companhia aérea é julgada na China

Quase 10 anos após o misterioso desaparecimento do voo MH370, da companhia Malaysia Airlines, um tribunal de Pequim iniciou um processo para determinar uma eventual indenização às famílias das vítimas de nacionalidade chinesa. Dos 239 passageiros a bordo, 153 eram chineses.
A sessão teve início nesta segunda-feira (27).

O avião desapareceu em 8 de março de 2014 depois de decolar de Kuala Lumpur, capital da Malásia, com destino a Pequim. Alguns destroços que pareciam ser da aeronave foram encontrados no Oceano Índico, mas nenhum vestígio dos passageiros foi identificado.

A busca marítima foi interrompida quase três anos após a tragédia, em janeiro de 2017. Em 2018, uma empresa privada americana retomou as buscas, mas sem sucesso. Familiares das vítimas acusaram a companhia aérea e o governo malaio de ocultar informações. As autoridades negam as alegações. O desaparecimento continua sendo o maior mistério da aviação civil moderna e provoca várias especulações.

O que aconteceu com a Malaysia Airlines?

O avião perdeu contato com os controladores de tráfego aéreo cerca de 40 minutos após a decolagem, enquanto sobrevoava o Mar do Sul da China.

Investigações revelaram que o avião mudou de rota de forma deliberada, desviando-se para o Oceano Índico em vez de seguir para Pequim, na China.

A análise de dados de satélite indicou que o avião continuou a voar por várias horas após a perda de contato. A última posição conhecida estava sobre o sul do Oceano Índico.

Ao longo dos últimos dez anos, várias teorias e hipóteses surgiram para explicar o desaparecimento do MH370, como, por exemplo:
  1. Suicídio do piloto: Uma teoria sugere que o piloto malaio, Zaharie Ahmad Shah, deliberadamente desviou o avião de sua rota e provocou sua queda no oceano, levando à morte de todos a bordo. Além disso, dados indicam equipamentos de comunicação e transponder foram desativados para dificultar o rastreamento do avião.Essa vem sendo a teoria mais aceita por especialistas do ramo, como o piloto, mecânico e influencer Lito Sousa - do canal de YouTube Aviões e Música. Ele acredita que a primeira vítima pode ter sido o copiloto Fariq Abdul Hamid, que teria sido sedado por Zaharie para não impedir seu plano de derrubar a aeronave.No entanto, não há evidências conclusivas que conectem o piloto ao desaparecimento do avião. As investigações oficiais não atribuíram responsabilidade direta a ele pelo incidente. Zaharie Ahmad Shah era um piloto experiente que trabalhava na Malaysia Airlines há mais de 30 anos.
  2. Falha mecânica ou incêndio: Alguns especulam que uma falha mecânica, como um incêndio a bordo, poderia ter causado o desaparecimento do avião.
  3. Sequestro ou ataque terrorista: Há sugestões de que o avião foi sequestrado ou alvo de um ataque terrorista. No entanto, ninguém nunca reivindicou a autoria do ataque e não foram encontradas evidências que sustentem essa teoria.
  4. Erro do piloto ou equipamento de bordo: Algumas hipóteses sugerem que o desvio da rota e o desaparecimento podem ter sido resultado de um erro do piloto ou de falhas nos sistemas de comunicação e navegação.

O fato é que, apesar de extensas buscas e investigações, os principais destroços do MH370 não foram localizados, tornando difícil determinar o que aconteceu com o avião.

Por que é tão difícil encontrar o avião?

O avião Malaysia Airlines MH370 desapareceu sobre o sul do Oceano Índico. A área do desaparecimento foi estimada por meio de análises de dados de comunicações entre o avião e satélites. O avião seguiu uma trajetória em direção ao sul do Oceano Índico e caiu em uma área conhecida como “corredor sul”. Essa área foi identificada como uma vasta extensão do oceano a oeste da Austrália, em uma região remota e não mapeada do oceano.

Até o momento, apesar dos esforços e do uso de tecnologia avançada, os destroços do MH370 não foram identificados. O mistério do desaparecimento do avião continua a ser um dos casos mais intrigantes e desafiadores da aviação moderna.

Encontrar os destroços do voo MH370, da Malaysia Airlines, tem sido uma tarefa desafiadora por várias razões:
  • A vasta área em que o avião poderia ter caído exigiu uma busca em uma escala sem precedentes. Isso envolve cobrir uma área extensa do oceano, o que exigiu recursos significativos ao longo de um período prolongado.

    O avião desapareceu sobre uma parte remota região do Oceano Índico, com uma grande diversidade geográfica e onde as condições meteorológicas podem ser severas. A Austrália liderou os esforços de busca no Oceano Índico, com contribuições e cooperação internacional de vários países. No entanto, apesar dos extensos esforços, os principais destroços do avião não foram localizados.

  • A área onde se acredita que o avião tenha caído possui profundidades oceânicas significativas, tornando a busca em grande parte subaquática. Operações de busca em grandes profundidades apresentam desafios técnicos e logísticos, que muitas vezes excedem os limites operacionais dos equipamentos.

    A profundidade exata do local onde os destroços do avião não é precisa, mas o Oceano Índico Austral tem profundidades superiores a 4.000 metros - distância superior ao local onde foi encontrado Titanic, no Oceano Atlântico.

  • A falta de dados específicos sobre a localização exata do avião no momento do desaparecimento complicou as operações de busca. Na maioria dos acidentes aéreos, as autoridades têm as informações precisas para determinar onde concentrar os esforços.
  • O tempo decorrido desde o desaparecimento do avião complicou ainda mais a busca. Possíveis destroços podem ter se movido devido às correntes oceânicas, dificultando a determinação do local de impacto inicial.

Ponto de virada

Na manhã dessa segunda-feira (27), familiares das vítimas do voo MH370 compareceram ao tribunal do distrito de Chaoyang, em Pequim, para o início do processo judicial. O processo, envolvendo mais de 40 famílias, visa a Malaysia Airlines, a fabricante Boeing, os motores Rolls-Royce e a seguradora Allianz.

As famílias apresentaram denúncias exigindo indenizações e explicações. O valor das compensações varia entre 10 e 80 milhões de yuans, além de compensações por danos morais entre 30 e 40 milhões de yuans.

Algumas famílias chegaram a acordos com a defesa, recebendo entre 2,5 e 3 milhões de yuans. As denúncias também refletem a deterioração das condições de vida para alguns familiares, que perderam o suporte econômico das vítimas da Malaysia Airlines.

O processo judicial reacende a esperança de famílias que há mais de dez anos buscam respostas e compensações.

* Com informações da AFP

Formado em Jornalismo pela UFMG, com passagens pelo jornal Estado de Minas/Portal Uai. Hoje, é repórter multimídia da Itatiaia.
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