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Privatização da BR-251 gera expectativa entre usuários diante da insegurança na rodovia

Segundo a PRF, o número de acidentes aumentou consideravelmente nos últimos três anos

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Imagem mostra acidente gravissímo entre carreta e van na BR-251
Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais/ Divulgação

Os sons das sirenes e dos relatos de tragédias já se tornaram rotina na BR-251. A cada dois dias, em média, um novo acidente é registrado ao longo dessa que é considerada uma das rodovias mais perigosas do país. Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp) mostram que, só nos três primeiros meses de 2025, dezenas de colisões foram computadas, mantendo uma triste frequência de dor, perdas e medo.

A lista de tragédias é extensa. O acidente mais letal registrado desde 2017 ocorreu em 13 de janeiro de 2018, no km 400 da rodovia, na comunidade Bucaina, em Grão Mogol. Uma colisão envolvendo seis veículos resultou na morte de 13 pessoas e deixou outras 39 feridas. “O eixo traseiro de um dos caminhões entrou, literalmente, dentro do micro-ônibus, com várias vítimas fatais presas nas ferragens”, relembrou à época o tenente Ronaldo Freitas, do Corpo de Bombeiros. O congestionamento chegou a 20 quilômetros nos dois sentidos da rodovia.

Mais recentemente, na noite de 13 de maio deste ano, um novo choque entre uma van e uma carreta, no km 446, também em Grão Mogol, deixou nove mortos e dez feridos. “É muito comum chegarmos a cenários trágicos. A maioria dos acidentes envolve veículos de carga e vítimas presas às ferragens, o que exige resgate especializado e dificulta o socorro imediato”, afirma o tenente Kollek Pereira, do Corpo de Bombeiros.

Os dados comprovam

A gravidade e frequência dos sinistros forçaram o Corpo de Bombeiros a ampliar a estrutura na região, com novas unidades em Francisco Sá e Salinas. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, o número de acidentes aumentou consideravelmente: 185 em 2022, 219 em 2023 e 276 no último ano. Trechos como a Serra de Francisco Sá, a comunidade Barrocão e a Serra de Salinas estão entre os mais perigosos.

Enquanto isso, a população do Norte de Minas segue apreensiva. Muitos moradores esperam que a privatização de 325 km da BR-251 – entre Montes Claros e o entroncamento com a BR-116 – seja uma solução. No entanto, a proposta apresentada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) frustrou a todos: prevê a duplicação de apenas 24,2 km, justamente o trecho entre Montes Claros e a Serra de Francisco Sá, onde os acidentes são mais frequentes. Em contrapartida, o plano inclui nove praças de pedágio.

Alaíde Santana, funcionária da Casa de Apoio a Pacientes de Rio Pardo de Minas, lembra com tristeza do que viu: “Já presenciei a morte da minha mãe, do meu irmão e de vários parentes. A van da saúde pegou fogo. Todo dia tem um acidente nessa estrada. Muita carreta, muita imprudência e nenhuma estrutura”.

Para o caminhoneiro Reginaldo “Trembala”, 46 anos, de Capitão Enéas, a concessão só será eficiente se vier acompanhada de responsabilidade: “Privatizar é melhor, tem um dono pra cobrar. Do governo a gente nem sabe pra quem ligar. Mas falta muita conscientização dos motoristas também. Educação no trânsito é essencial”.

Foto mostra caminhoneiro com uma blusa de manga comprida vermelha, óculos de grau e boné. Ao fundo um caminhão de carga azul.

A promessa da ANTT é que o leilão ocorra até o final deste ano, mas as obras estão previstas apenas para começar no terceiro ano de concessão. Tempo demais para quem vive com medo a cada quilômetro percorrido.

Ronaldo Soares Mota Dias, prefeito de São João da Lagoa e presidente da Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene (Amams), cobra celeridade e mudanças no projeto. “Todo dia morre alguém na 251. Essa proposta atual não atende à realidade. Apenas 24 km de duplicação é muito pouco. O trecho mais crítico, entre Montes Claros e Francisco Sá, nem está na concessão. Isso não é uma questão política, é uma questão de Estado. Estamos perdendo vidas e oportunidades de desenvolvimento”, afirmou.

A precariedade da rodovia, além de vitimar centenas de pessoas, também freia o crescimento econômico do Norte de Minas. “Empresas deixam de investir na região por conta da insegurança e da falta de acessibilidade. A BR-251 impacta diretamente no futuro do nosso povo”, completa o presidente.

Imagem mostra Ronaldo Soares Mota Dias, presidente da Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene, concedendo entrevista ao repórter da Rádio Itatiaia, Osmar Macedo

O PRF Alessandro Nascimento, responsável pela Delegacia da PRF, em Montes Claros, alertou sobre os riscos nas rodovias do Norte de Minas, destacando que BRs como a 251 e a 365 são de pista simples e exigem atenção redobrada dos motoristas. Ele reforçou a importância de respeitar os limites de velocidade, principalmente em dias de chuva, manter o veículo em boas condições e cumprir a legislação sobre descanso dos condutores. “Nossas rodovias são de pista simples, qualquer deslize pode ser fatal”, afirmou.

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Osmar Macedo é repórter da Itatiaia – Montes Claros. Jornalista formado pela UFMG e graduado em História pela Unimontes. Entre as coberturas que participou, destaca a tragédia na Creche Gente Inocente em Janaúba e a Canonização de Irmã Dulce, direto de Roma e do Vaticano.

 

 

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