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Penitenciária de Francisco Sá impõe regras mais rígidas para presos

Uso intensivo de tecnologia e controle tem como foco o combate a facções

Secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Rogério Greco, visitou a unidade prisional acompanhado do diretor-geral da Polícia Penal, Leonardo Mattos Alves Badaró • Leila Santos

O secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais, Rogério Greco, esteve nesta quinta-feira (09), em Montes Claros, onde visitou a Penitenciária de Francisco Sá, unidade de segurança máxima localizada a cerca de 66 quilômetros do município.

Acompanhado do diretor-geral da Polícia Penal, Leonardo Mattos Alves Badaró, o secretário realizou visita técnica para acompanhar a implementação da resolução nº 718 de 2026, que estabelece novas diretrizes para o gerenciamento de presos ligados a facções criminosas.

Durante coletiva de imprensa, Greco explicou que a normativa prevê monitoramento integral dos detentos, uso intensivo de tecnologia e controle rigoroso das interações dentro das unidades prisionais, com foco no enfrentamento ao crime organizado.

“A gente editou a resolução 718, regulamentando especificamente unidades voltadas para esse perfil. Quando fizemos isso, nos baseamos no que já existe na legislação federal. Ou seja, não é uma novidade nossa. O que fizemos foi trazer, por simetria, esse modelo para o estado de Minas Gerais”, afirmou.

O secretário também destacou o endurecimento das leis no país. “Houve a edição recente de uma lei antifacção, com penas mais severas. Os estados precisam se preparar para isso, e essa resolução vem justamente nesse sentido”, completou.

Segundo Greco, Minas já conta com unidades específicas para esse tipo de custodiado, e a penitenciária de Francisco Sá funciona como projeto piloto para a nova política, com estrutura adaptada e monitoramento reforçado.

Inaugurada em 2005, a unidade é considerada de segurança máxima e já recebeu presos de alta periculosidade e casos de grande repercussão nacional. O histórico inclui, inclusive, tentativas de resgate envolvendo líderes do tráfico, o que reforça o papel estratégico da penitenciária no sistema prisional mineiro.

Mudança estrutural

O diretor-geral da Polícia Penal, Leonardo Badaró, destacou que a unidade deve passar por ajustes operacionais para atender ao novo modelo. “Estamos em uma unidade de segurança máxima e vamos realizar movimentações estratégicas de presos para adequar o perfil. Não são apenas faccionados, mas também detentos de alta periculosidade, que podem ou não pertencer a facções”, explicou.

Ele também ressaltou os desafios estruturais do sistema prisional. “O Estado tem feito um esforço grande para reformar e criar novas unidades. Temos estruturas antigas, algumas sem reformas há décadas, e estamos trabalhando para suprir essas necessidades com recursos limitados”, afirmou.

A expectativa do governo é que as novas medidas ampliem o controle dentro dos presídios, reduzam a atuação de facções criminosas e contribuam diretamente para o fortalecimento da segurança pública em Minas Gerais.