Itatiaia

PC conclui inquérito sobre morte de professora atingida por linha chilena em Montes Claros

Uso de linha chilena levou ao indiciamento por homicídio doloso”, diz delegada Francielle Drummond

PorMontes Claros
Itatiaia/Janaina Sacerdote

A Polícia Civil concluiu o inquérito que apurou a morte da professora de 57 anos atingida por uma linha chilena enquanto pilotava uma motocicleta em Montes Claros, no Norte de Minas. O caso aconteceu no dia 30 de junho, quando a vítima retornava do trabalho e passava próximo a um campo de futebol.

Durante coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (30), na sede da 11ª Região Integrada de Segurança Pública, a delegada Francielle Drummond apresentou o resultado da investigação, detalhou as circunstâncias do caso e explicou as medidas adotadas pela Polícia Civil.

Segundo a delegada, a professora foi atingida na região cervical por uma linha de pipa tensionada e com grande quantidade de material cortante.
“Ela foi atingida na região cervical por uma linha de pipa tensionada e com grande quantidade de material cortante. Em razão disso, ela sofreu um esgorjamento e veio a óbito”, explicou Francielle Drummond.

O laudo de necropsia apontou que a causa da morte foi um choque hipovolêmico hemorrágico. A partir das informações reunidas durante a investigação, a Polícia Civil realizou diversas diligências, incluindo trabalhos de campo e oitivas de testemunhas.
Durante a apuração, os investigadores encontraram, em um lote vago próximo ao local dos fatos, uma carretinha utilizada para empinar pipa. Segundo a perícia, o equipamento era compatível com a linha utilizada no momento em que a professora foi atingida.

“A Polícia Civil iniciou várias diligências, inclusive diligências de campo, e conseguiu apreender em um lote vago, próximo ao local dos fatos, uma carretinha que, segundo a perícia, era a carretinha que teria sido utilizada na morte da vítima. Essa linha era uma linha chilena, que é uma linha de comercialização proibida”, afirmou a delegada.

A investigação apontou que o material era utilizado por um homem de 18 anos e um adolescente de 17 anos, que faziam uso compartilhado da pipa em uma disputa conhecida como “laçada”.

“Eles faziam uso compartilhado dessa pipa, que eles chamam de laçada. Em um determinado momento, eles perderam essa pipa e, ao puxar a carretinha, perceberam que ela estava mais pesada, como se alguém estivesse fazendo força do lado contrário. Provavelmente foi o momento em que a vítima teria sido atingida”, detalhou Francielle Drummond.

Conforme a Polícia Civil, testemunhas relataram que os dois deixaram o local logo após o ocorrido. Eles foram ouvidos e confirmaram a dinâmica dos fatos, mas negaram qualquer responsabilidade criminal pela morte.

“Eles confessam sobre a dinâmica dos fatos, mas negam qualquer tipo de responsabilização criminal. Então, em razão disso, a Polícia Civil entendeu que eles praticaram o crime de homicídio na modalidade de dolo eventual”, explicou a delegada.
Segundo Francielle Drummond, a conclusão pelo dolo eventual levou em consideração o uso de um artefato perigoso e proibido, além do local onde a linha era utilizada.

“Eles estavam utilizando um artefato perigoso e de comercialização proibida, que é a linha chilena, em um local de grande fluxo de veículos e de pedestres. O simples fato de fazer uso de linha chilena ou cerol já caracteriza o crime, que é o crime de perigo para a vida e a saúde de outro”, afirmou.

O homem de 18 anos foi indiciado por homicídio doloso na modalidade de dolo eventual. Já o adolescente responderá por ato infracional análogo ao crime de homicídio, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente, perante a Vara da Infância e da Juventude.

Sobre a possibilidade de prisão dos envolvidos, a delegada explicou que não foram identificados requisitos para uma prisão preventiva.

“Para uma pessoa ficar presa hoje, depende de requisitos de prisão preventiva, de prisão cautelar, que não foram o caso de acontecer. Eles colaboraram com a investigação, foram ouvidos, as carretinhas foram encontradas e os pais do adolescente também compareceram à delegacia”, disse.

Conforme a Polícia Civil, o homem maior de idade pode responder a uma pena de seis a 20 anos de prisão.

Por

Formada em Jornalismo pela Funorte, Janaina Sacerdote é repórter multimídia da Rádio Itatiaia em Montes Claros. Antes, passou por Fundação Fé e Alegria Montes Claros e Rádio Educadora /Pop 95Fm.

 

 

Belo Horizonte