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Bocaiuva inaugura Centro de Memória Casa Figueiredo Souza nesta sexta (23)

Espaço reune afeto, cultura e cidadania com exposição permanente

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Imagem mostra casa grande, pintada de amarelo, azul e branco com árvores verdes ao fundo
Anna Veloso/ Divulgação

Nesta sexta-feira (23), Bocaiuva, no norte de Minas Gerais, se tornará um novo marco da cultura brasileira com a inauguração do Centro de Memória Casa Figueiredo Souza e da exposição permanente “Balaio Mineiro – Memória de uma Família Brasileira”. O projeto, que conta com patrocínio da Cemig, via Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais, celebra a trajetória afetiva, política e artística da família dos irmãos Henfil, Betinho e Chico Mário, nomes fundamentais da cultura e cidadania no país.

A exposição é inspirada no livro homônimo de Wanda Figueiredo e reúne documentos, cartas, fotos e objetos guardados por décadas pelas mulheres da família. Em entrevista à Rádio Itatiaia, Regina Souza, neta da matriarca Dona Maria da Conceição e idealizadora do projeto, definiu que “essa casa é mais do que um espaço expositivo – é a história de uma, das muitas famílias brasileiras, que lutaram e ainda lutam pela liberdade, democracia e justiça social no país”.

Instalada em uma casa anexa à antiga estação ferroviária da cidade, restaurada pela Prefeitura de Bocaiuva, a mostra se organiza em cinco salas temáticas que convidam o visitante a um mergulho sensorial e histórico: desde os tempos de “Pequena Bocaiuva”, passando pelos legados de “Três Irmãos de Sangue”, até o protagonismo das “Cinco Filhas de Maria” e o afeto de “Mãe Coragem”. Como lembra Regina, “o biscoito de farinha, feito com polvilho e cará, é praticamente um personagem – um elo entre a Vovó, seus filhos e filhas”.


Imagem mostra a curadora da exposição, Anna Veloso, sob os trilhos da ferrovia de Bocaiúva. Ao fundo está o Centro de Memória Casa Figueiredo Souza Mais que uma homenagem, o “Balaio Mineiro” é também um instrumento de reconstrução da memória coletiva. “As mulheres sempre haviam segurado a barra da família”, escreveu Wanda Figueiredo. Agora, são elas que narram e preservam essa história.

Durante os dias 23 a 25 de maio, o Complexo da Estação receberá a Mostra Estação Arte Cidadania, com uma intensa programação cultural – shows, oficinas, teatro, cinema e rodas de conversa. “Esse centro de memória é o intercâmbio da Pequena Bocaiuva com a Grande Bocaiuva, e é também uma casa com um coração aberto”, completa Regina.

Assim como há a Casa de Juscelino em Diamantina ou a Casa de Drummond em Itabira, Bocaiuva agora se firma no mapa cultural do Brasil como território de memória viva e de resistência, onde o passado inspira o presente e mobiliza para o futuro.

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Osmar Macedo é repórter da Itatiaia – Montes Claros. Jornalista formado pela UFMG e graduado em História pela Unimontes. Entre as coberturas que participou, destaca a tragédia na Creche Gente Inocente em Janaúba e a Canonização de Irmã Dulce, direto de Roma e do Vaticano.