População de peixes migratórios cai 81% e acende alerta global
Relatório indica 325 espécies sob risco e aponta impactos de barragens, poluição e também das mudanças climáticas

Um relatório global apresentado durante a COP15, em Campo Grande (MS), identificou 325 espécies de peixes migratórios de água doce que necessitam de esforços de conservação internacional. Do total, 55 estão na América Latina, com a Bacia Amazônica apontada como área prioritária para ações de proteção. O estudo integra a Avaliação Global dos Peixes Migratórios de Água Doce e destaca a pressão crescente sobre espécies amazônicas.
Segundo a secretária nacional de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Rita Mesquita, o cenário é agravado por eventos climáticos extremos. “A Amazônia enfrentou episódios de seca extremas, que têm um impacto gigantesco nesse recurso”, afirmou.
Os dados também apontam uma queda expressiva nas populações globais desses peixes. Desde 1970, houve redução média de cerca de 81%, reflexo da degradação ambiental e da interferência humana nos rios . Entre as principais ameaças estão a construção de barragens, a poluição e a pesca predatória, fatores intensificados pelas mudanças climáticas. A redução do volume de água e a fragmentação dos rios dificultam a migração das espécies, essencial para alimentação e reprodução.
Para Carlos Durigan, o impacto vai além do meio ambiente. “Isso tudo leva a uma pressão muito grande sobre essas espécies, que são base econômica para as pessoas que vivem na Amazônia e dependem da fonte proteica na alimentação”, alertou. Durante a conferência, a delegação brasileira apresentou propostas para conter o declínio das espécies migratórias. Entre elas está o Plano de Ação Regional para os Bagres Migratórios da Amazônia, desenvolvido em parceria com países como Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela.
Segundo Rita Mesquita, a cooperação internacional é essencial para a preservação dessas espécies. “Não importa o que a gente faça dentro do Brasil, se isso não tiver um espelho nos outros países”, afirmou. O Brasil também defende a inclusão do pintado (Pseudoplatystoma corruscans), espécie da Bacia do Prata, no Anexo II da Convenção sobre Espécies Migratórias, ampliando a proteção internacional.
A secretária destacou ainda a necessidade de ampliar as listas de espécies protegidas. “Há muito mais espécies que deveriam estar na convenção e não estão”, disse, ao mencionar a atualização da lista brasileira de espécies ameaçadas de extinção.
* Com informações de Agência Brasil
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