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PF recebe investimento e fechará cerco contra crimes ambientais em Minas

Força-tarefa busca facilitar a comunicação entre órgãos e antecipar de ações de combate a ilícitos minerários em MG

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Ações da PF buscam combater ilícitos minerários em MG • Divulgação / PRF e PF

A Polícia Federal em Minas Gerais anunciou, nesta quinta-feira (26), a criação de uma força-tarefa para combater os crimes ambientais no estado. A nova Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) do Meio Ambiente integrará o Projeto Minas, destinado ao combate e investigação de ilícitos minerários, que já está em andamento com um aporte de R$20 milhões do Fundo Rio Doce.

A nova Ficco está em fase de implementação e não substitui o trabalho da Delegacia Especializada de Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema) em Minas Gerais, sendo uma forma facilitar a comunicação entre os órgãos, sobre conhecimento e investigações de crimes ambientais. Com uma grande exploração de minério, Minas Gerais possui a maior Dema do Brasil, ultrapassando, inclusive, a do estado do Amazonas.

A execução do projeto será coordenada pela Superintendência Regional da Polícia Federal em MG, com foco operacional na própria Superintendência e nas Delegacias de Governador Valadares, de Ipatinga e de Juiz de Fora. Essas unidades atuam em 200 municípios da Bacia do Rio Doce, abrangendo uma população de 3,1 milhões de habitantes, segundo dados divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurnaça Pública.

Um dos destaques divulgados pela corporação é a previsão de usar uma tecnologia que permitirá rastrear de onde um minério é originário. A prática poderá ser utilizada em investigações para identificar a origem do material, quando houver uma apreensão.

A PF também divulgou que requereu a extensão do investimento do Fundo Rio Doce - destinado a projetos, ações e medidas compensatórias nos âmbitos socioeconômico e socioambiental decorrentes do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, no ano de 2015 - para a Ficco do Meio Ambiente.

“Estamos na fase fase anteparo jurídico da criação do Ficco do Meio Ambiente. É uma fase de formular o acordo com os órgãos ambientais. A Ficco não muda nada nas ações da Delegacia de Meio Ambiente. É mais no sentido de melhorar comunicação e tentar antecipar as ações criminosas contra o meio ambiente”, ponderou o superintendente da PF em Minas, Richard Murad Macedo.

Atualmente, o Fundo Rio Doce destina R$20 milhões que são aplicados em três frentes estratégicas para modernizar a atuação da Polícia Federal na região, que buscam a repressão e investigação de ilícitos minerários:

  • Mobilidade e Comunicação: aquisição de viaturas especializadas, veículos blindados, guincho caracterizado e modernização da rede de comunicação crítica.
  • Tecnologia e Inteligência: uso intensivo de drones, sensoriamento remoto, inteligência geoespacial e computadores de alta performance para análise de dados.
  • Capacidade Pericial: reforço técnico em geologia, engenharia de minas e avaliação de danos ambientais para qualificar a materialidade das investigações.

O investimento prevê um aumento de 30% na capacidade operacional da PF no enfretamento a esses crimes na Região do Vale do Rio Doce, além de uma ampliação, também de 30%, na cobertura geoespacial fiscalizada e um incremento de 25% nas operações preventivas e repressivas contra a mineração ilegal.

A Superintendência Regional da Polícia Federal em MG ainda anunciou, nesta quinta, a compra de 30 viaturas com recursos do Projeto Minas. Além disso, o aporte destinará R$1,5 milhão em drones.

O Brasil conta, hoje, com 30 Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficco), destinadas a diferentes áreas. Do total, cinco estão em Minas Gerais.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.