Países tentam recuperar região devastada por desaparecimento de lago
Pesquisadores da China e do Uzbequistão iniciaram uma cooperação voltada à recuperação ambiental da área degradada

O Mar de Aral era considerado um dos maiores lagos de água salgada do planeta. Localizado entre o Uzbequistão e o Cazaquistão, ele sustentava atividades pesqueiras, abastecia comunidades e desempenhava papel fundamental no equilíbrio ambiental da Ásia Central.
Hoje, a paisagem é completamente diferente. Em muitas áreas, onde antes existiam águas extensas, restam apenas embarcações abandonadas e uma planície coberta por sal.
Início do problema
A transformação começou na década de 1960, quando rios que alimentavam o lago passaram a fornecer água para grandes projetos de irrigação agrícola, especialmente destinados ao cultivo de algodão. A redução contínua na vazão provocou um encolhimento acelerado do Mar de Aral, que perdeu mais de 90% de sua área original.
No lugar, surgiu o deserto de Aralkum, uma região de aproximadamente 60 mil quilômetros quadrados coberta por sedimentos, sal e resíduos acumulados no antigo fundo do lago.

As consequências dessa mudança afetaram a população local. Localidades que dependiam da pesca ficaram distantes da margem e perderam sua principal fonte de renda.
Além dos impactos econômicos, o leito seco passou a gerar frequentes tempestades de poeira carregadas de sal e substâncias tóxicas, que percorrem centenas de quilômetros e comprometem a saúde das pessoas, a qualidade do ar e a produtividade agrícola da região.
Um problema com solução?
Pesquisadores da China e do Uzbequistão iniciaram uma cooperação voltada à recuperação ambiental da área degradada. O projeto parte de conhecimentos desenvolvidos em regiões áridas do noroeste chinês para enfrentar problemas de desertificação e salinização do solo.
Entre as medidas adotadas está a introdução de plantas capazes de sobreviver em ambientes extremamente salinos, com o envio de mais de uma tonelada de sementes e centenas de variedades resistentes ao sal e à seca.
Conhecidas como halófitas, essas espécies desempenham papel na estabilização do terreno. Algumas delas possuem raízes profundas que ajudam a fixar a areia, reduzir a erosão e diminuir a intensidade das tempestades de poeira.
A estratégia também incorpora soluções tecnológicas baseadas em energia solar. Paralelamente, o governo do Uzbequistão promove iniciativas próprias para restaurar parte do ambiente degradado. Desde 2021, mais de 45 milhões de árvores foram plantadas em extensas áreas do antigo leito do lago.
Apesar dos esforços, especialistas destacam que o objetivo não é reconstruir o Mar de Aral. A maioria dos pesquisadores considera improvável o retorno das condições originais do lago. O foco das iniciativas atuais está na redução dos impactos ambientais e sociais.
Pablo Paixão é graduado em Jornalismo, pela UFMG, e em Cinema e Audiovisual, pelo Centro Universitário UNA BH. Tem experiência em diferentes áreas da comunicação e marketing. Com passagem pela TV UFMG, na Itatiaia atuou inicialmente nas editorias de Entretenimento, Cultura e Minas Gerais. Atualmente, colabora com as editorias Pop e Carnaval.



