Estudo inédito aponta que espécie jiboia arco-íris pode ser intersexual; entenda
Pesquisa da USP descreve pela primeira vez o ciclo reprodutivo desses animais e levanta hipótese de características intersexuais na espécie

Uma pesquisa conduzida na Universidade de São Paulo (USP) revelou um achado inédito sobre a biologia de serpentes brasileiras: indivíduos da espécie jiboia arco-íris do Cerrado podem apresentar características compatíveis com intersexualidade. O estudo, realizado no Instituto de Biociências da USP, investigou o funcionamento reprodutivo da espécie e registrou, pela primeira vez, estruturas reprodutivas consideradas incomuns em alguns machos.
Até então, pouco se conhecia sobre o ciclo reprodutivo da espécie, cujo nome científico é Epicrates crassus. A pesquisa buscou preencher essa lacuna descrevendo padrões de reprodução, diferenças entre machos e fêmeas e possíveis impactos desses mecanismos para conservação da fauna. O trabalho foi desenvolvido pelo pesquisador Rafael Anzai, mestre em Zoologia pela USP. Para chegar aos resultados, foram analisados quase 130 exemplares pertencentes a coleções científicas dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Após o exame dos animais, os pesquisadores mapearam características anatômicas e o funcionamento do sistema reprodutivo da espécie.
Entre as conclusões, os cientistas identificaram que a reprodução da jiboia arco-íris ocorre de maneira sazonal, concentrando seu pico no outono. O comportamento também foi classificado como semi-síncrono e descontínuo, ou seja, os indivíduos tendem a reproduzir em períodos próximos, mas alternados por intervalos de inatividade reprodutiva.
Outro resultado chamou atenção dos pesquisadores: alguns machos apresentavam pequenas estruturas semelhantes ao oviduto, o órgão associado ao sistema reprodutivo feminino e responsável pela passagem e formação dos ovos. Essas estruturas foram classificadas como vestigiais, indicando que começaram a se desenvolver, mas não se completaram. Segundo o estudo, esse cenário pode indicar um caso de intersexualidade na espécie. No contexto biológico, intersexualidade não significa que os dois sistemas reprodutivos estejam plenamente funcionais ao mesmo tempo, trata-se da presença de características sexuais que não correspondem integralmente ao padrão esperado para aquele indivíduo.
Os pesquisadores destacam que ainda não é possível afirmar se essa característica interfere na reprodução dos animais. Durante as análises, os machos continuaram apresentando produção normal de gametas, o que indica que serão necessários estudos complementares para entender os efeitos dessa condição. Conforme destacaram os pesquisadores ao Jornal da USP, compreender o ciclo reprodutivo é uma etapa considerada essencial para proteger espécies e planejar ações de preservação da biodiversidade.
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.



