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Pioneirismo: Santa Casa de Juiz de Fora traz 1º robô cirúrgico 100% autônomo da América Latina

Tecnologia sul-coreana inédita na América Latina realiza cortes ósseos com precisão submilimétrica em cirurgias de prótese de joelho. O equipamento consolida o histórico de vanguarda da instituição de 172 anos.

Por, Juiz de Fora
Cuvis-Joint é um sistema robótico desenvolvido na Coreia do Sul que realiza cortes ósseos com precisão submilimétrica em cirurgias de prótese de joelho • Divulgação

A inovação médica na América Latina acaba de ganhar um novo marco histórico, e ele não acontece em uma grande capital, mas no interior de Minas Gerais. A Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora recebeu na última semana o CUVIS-Joint, um sistema robótico desenvolvido na Coreia do Sul que é o primeiro de sua categoria a operar em todo o continente latino-americano.

A tecnologia atua especificamente na cirurgia de prótese de joelho, um procedimento vital para pacientes que precisam substituir a articulação desgastada pela osteoartrite e buscam recuperar a mobilidade sem dor.

O grande diferencial do CUVIS-Joint em relação aos equipamentos anteriores é o seu nível de autonomia. Nas gerações passadas de robôs médicos, o cirurgião ainda precisava conduzir fisicamente o braço mecânico para realizar os cortes. Com a nova tecnologia da fabricante sul-coreana CUREXO, a máquina executa a fresagem óssea de forma independente.

Apesar dessa autonomia de execução, a tecnologia não substitui o médico. O ortopedista continua no comando absoluto de todo o processo. Antes da cirurgia, o especialista utiliza imagens de tomografia para criar um modelo 3D do joelho do paciente, planejando milímetro a milímetro onde os cortes serão feitos. No centro cirúrgico, o robô apenas executa esse plano digital, sob a supervisão rigorosa e contínua do cirurgião. Se o paciente fizer qualquer movimento inesperado, sensores de alta captação interrompem o braço robótico instantaneamente.

"Este é um marco importante na história da Santa Casa e reforça o nosso compromisso com a inovação e com a qualidade da assistência prestada à população. Estamos trazendo para a região uma tecnologia de ponta, alinhada ao que há de mais avançado na medicina mundial", afirma José Sebastião Pedrosa, presidente do Conselho de Administração da instituição.

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Benefícios que mudam a vida do paciente

A exatidão proporcionada pela máquina se traduz em vantagens clínicas diretas. Como o robô corta o osso com uma precisão inferior a 1 milímetro na grande maioria dos casos, os tecidos e ligamentos ao redor do joelho são poupados. Um corte mais limpo e preciso gera menos inflamação, o que resulta em menos dor nos dias seguintes ao procedimento e permite uma recuperação mais rápida.

Além disso, a exatidão no preparo do osso garante que a prótese se encaixe perfeitamente. O objetivo final é proporcionar ao paciente o que a medicina chama de "joelho esquecido", que é quando a pessoa volta a caminhar, subir escadas e realizar suas atividades diárias sem sequer lembrar que possui uma articulação artificial.

O futuro sempre chegou primeiro

Para a Santa Casa de Juiz de Fora, a chegada do robô não é um caso isolado, mas a continuação de um DNA de pioneirismo documentado. A instituição, que possui 172 anos de história e atende majoritariamente pacientes do SUS, tem o costume de antecipar o futuro da saúde na região.

Foi a Santa Casa que trouxe o primeiro serviço de hemodinâmica do interior de Minas Gerais em 1978. Foi a responsável pelo primeiro transplante renal da região em 1983 e pelo primeiro transplante de fígado da macrorregião em 2017. Mais recentemente, em 2024, a equipe do hospital liderou o primeiro transplante renal pareado triplo do Brasil.

Sendo o maior centro transplantador renal de Minas Gerais e figurando há seis anos consecutivos no ranking da revista Newsweek entre os melhores hospitais do mundo, a instituição prova mais uma vez que a tecnologia de última geração sempre encontra o cuidado que sai na frente.