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Pesquisa da UFV desenvolve tecnologia para incorporar creatina a alimentos e bebidas

Solução utiliza fase oleosa estruturada e emulsão para proteger a creatina do contato com a água e manter sua estabilidade durante a vida útil dos produtos

Por, Juiz de Fora
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A creatina, um suplemento alimentar que promete melhorar o desempenho esportivo e o ganho muscular, já entrou na rotina diária da classe média no Brasil. Trata-se do segundo suplemento mais vendido no país, que, por sua vez, ocupa a terceira posição em crescimento desse mercado no mundo.

Nos últimos anos, contudo, o produto extrapolou o universo fitness. Médicos e nutricionistas vêm recomendando seu uso para preservar a massa muscular e a densidade óssea em idosos e mulheres na menopausa, além de auxiliar na recuperação clínica de pacientes e no aprimoramento da função cognitiva, do sono e da memória.

Embora o consumo tradicional ocorra pela diluição do pó em água no momento do uso, cresce a demanda para que o produto seja incorporado diretamente a produtos industrializados, como pães e iogurtes. Só que isso não é tão simples. A aplicação enfrenta um desafio tecnológico que mobilizou pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de Alimentos (PPGCTA) da Universidade Federal de Viçosa (UFV).

Desafio da estabilidade

O pesquisador Erivan Batista Júnior explica que, em contato prolongado com a água, especialmente em meios ácidos, a creatina se degrada gradualmente, transformando-se em creatinina, substância inativa que é eliminada pela urina.

“A utilização tradicional na forma de creatina monohidratada ocorre principalmente em produtos secos, nos quais ela apresenta maior estabilidade. Em contato com a água, ela perde a estabilidade ao longo do tempo”, ressalta.

O processo não oferece riscos à saúde humana, mas faz com que o suplemento perca sua eficácia nutricional. O próprio tempo de transporte e armazenamento, entre a fábrica e o consumo final, pode reduzir drasticamente a quantidade real de creatina em relação ao informado no rótulo.

O desafio tecnológico era, portanto, criar uma estratégia que permitisse incorporar a substância a alimentos e bebidas mantendo sua estabilidade durante toda a vida útil do produto.

Tecnologia desenvolvida na UFV

No Laboratório de Higiene e Microbiologia de Alimentos da UFV, a equipe desenvolveu uma solução inédita: o uso de uma fase oleosa estruturada e de uma emulsão para criar uma barreira protetora entre a creatina e o meio aquoso.

“O principal resultado foi o desenvolvimento de um sistema capaz de incorporar elevadas concentrações de creatina nessa fase oleosa para, posteriormente, permitir sua dispersão”, destaca o orientador do trabalho, professor Evandro Martins, do PPGCTA.

Ao equilibrar a estabilidade química e a capacidade de dispersão, a tecnologia viabiliza a adição das doses desejadas do suplemento em formulações de bebidas e alimentos processados em escala industrial.

O avanço motivou o depósito de um pedido de patente junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e serve de base para o desenvolvimento de novas estratégias de proteção de compostos bioativos na indústria de alimentos.

O pedido de patente contou com o apoio do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) da UFV.

 

 

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