Paciente em Barbacena é o primeiro de MG a receber aplicação de polilaminina pelo SUS
Jovem de 28 anos sofreu grave lesão medular após acidente de moto. Procedimento no Complexo Hospitalar de Barbacena foi realizado em conjunto com profissionais ligados ao Projeto Polilaminina, desenvolvido pelo Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Um paciente de 28 anos foi o primeiro a receber aplicação de polilaminina pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Minas Gerais. O procedimento foi realizado na terça-feira (23), no Complexo Hospitalar de Barbacena, por equipes da unidade em conjunto com profissionais ligados ao Projeto Polilaminina, desenvolvido pelo Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
De acordo com a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), a operação ocorreu poucos dias depois de Geovani Campos Canton, de 28 anos sofrer uma grave lesão medular em um acidente de moto. A substância experimental é estudada como potencial aliada na recuperação neurológica após traumas na medula espinhal ou nos nervos da coluna vertebral.
A polilaminina ainda está em fase de pesquisa clínica e integra um protocolo experimental autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso compassivo, destinado a pacientes com condições graves e sem alternativas terapêuticas equivalentes disponíveis.
Geovani sofreu o acidente na sexta-feira (19) à noite, deu entrada na unidade, foi operado no domingo, Após avaliação dos critérios de elegibilidade, teve a documentação necessária providenciada para receber a aplicação o mais rápido possível, favorecendo assim o tratamento. “Se Deus quiser, vai dar tudo certo. Tenho grande expectativa”, afirmou via Fhemig.

Como funciona o tratamento
A polilaminina é uma versão otimizada da laminina, proteína naturalmente presente no organismo e fundamental para o desenvolvimento das células nervosas. Os pesquisadores verificam a capacidade de reduzir a inflamação na área lesionada e favorecer a reconexão de estruturas, funcionando como uma espécie de “andaime molecular” para orientar o crescimento dos axônios, que atuam como um fio de transmissão do sistema nervoso.
Segundo o neurocirurgião do Hospital Municipal Souza Aguiar, no Rio de Janeiro, Bruno Cortes, integrante do projeto, os resultados seguem em avaliação científica. “Não existe garantia de reversão da lesão, mas buscamos ampliar as perspectivas de ganho neurológico e qualidade de vida”;
Após a aplicação, o tratamento continua. A substância pode criar condições biológicas favoráveis para a regeneração, mas a fisioterapia é indispensável para estimular as conexões nervosas e o reaprendizado funcional.
A cirurgia em um paciente internado em um hospital 100% SUS a participação no protocolo de uso compassivo da polilaminina é um marco para o Complexo Hospitalar de Barbacena, no Campo das Vertentes, segundo a diretora assistencial, Vivian Miranda.
“A aplicação de polilaminina consolida o compromisso do hospital com a assistência de alta complexidade, a inovação e a busca contínua pela excelência e segurança do paciente. Esse resultado só foi possível graças ao empenho de uma equipe multiprofissional altamente qualificada e comprometida”, destaca.
O deslocamento dos profissionais responsáveis pela aplicação foi realizado com apoio aéreo do Batalhão de Operações Aéreas (BOA) do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG), em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG).
Natural de Juiz de Fora, jornalista com graduação e mestrado pela Faculdade de Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Experiência anterior em Rádio, TV e Internet. Gosta de esporte, filmes e livros. Editora Web na Itatiaia Juiz de Fora desde 2023. Tricampeã na categoria Web/Mídias Digitais no Prêmio Oddone Turolla de Jornalismo, do Sindicomércio JF.



