Belo Horizonte
Itatiaia

Mais que empatia, fotógrafa relata aprendizado ao registrar mães atípicas

Nathália Rheges fez as fotos da exposição “Mães Extraordinárias” e contou à Itatiaia a identificação pessoal e o impacto profissional da experiência.

Por, Juiz de Fora
Nathalia Rheges

Quem visita a exposição “Mães Extraordinárias” percebe os momentos de ternura, carinho e alegria capturados de cada família atípica em Juiz de Fora.

As 13 mães participantes tiveram uma experiência completa de cuidado e valorização, em um ambiente de acolhimento e reconhecimento pensado para elas no projeto da fotógrafa especialista em retratos Nathalia Reghes, em parceria com a mobilizadora social Ana Kelly Dias. E deixaram um legado além dos cliques e da técnica.

“Então, foi esse sentimento, sabe? Um sentimento de nostalgia, um pouco pela particularidade da minha vivência e um prazer mesmo, uma satisfação de ver essas mães tirando o momento de autocuidado para elas”, disse Nathalia.

Da tragédia à chance de ser visto

Nathalia Rheges contou que já desenvolvia o projeto Mulheres Extraordinárias e houve a aproximação com a mobilizadora Ana Kelly

“Na época da calamidade pública, eu quis ajudar e eu e a Kelly nos reaproximamos. A gente já se conhecia, mas essa causa nos trouxe uma união mais forte. E a Kelly é uma mãe atípica, responsável pelo projeto Mães Atípicas JF. E aí foi quando eu uni a minha força de deslocamento, eu podia me deslocar para onde fosse a qualquer momento, e a Kelly fazia esse filtro das famílias que precisavam de ajuda naquele momento”.

A semente que uniu dois projetos e levou à exposição, Nathalia também lidou com as lembranças de ter uma criança com deficiência em casa, daí a identificação e a compreensão da rotina dessas famílias:

“Confesso que me trouxe um pouco de saudade daquilo que eu vivi no passado, estar muito próxima a essas mães me deu até um pouquinho de medo do que eu ia encarar. É uma causa que eu já vivenciei há anos atrás. Não tinha como eu dizer ‘não’, até mesmo porque tendo já esse conhecimento, eu sei das necessidades muito específicas que essas famílias, que essas mães têm de locomoção, de acessibilidade, e o meu estúdio hoje, ele tem essa acessibilidade, então por que não? Acho que não tinha lugar melhor pra receber essas famílias”.

Segundo Nathalia, os encontros se tornaram um momento maior que fotos para um ensaio fotográfico - foi a compreensão do significado deste momento para as mães

“A agenda dessas crianças é uma agenda de muitos compromissos, de muitas terapias e elas muitas das vezes se sentem extremamente cansadas. Às vezes, a última coisa que elas vão pensar é ‘eu tenho que fazer foto com minha filha, tenho que renovar minhas fotos de família’. Então, vê-las lá, tirando esse tempo para elas com os filhos, se produzindo, fazendo uma maquiagem, fazendo o cabelo e foi mais emocionante. Eu fui mostrando os resultados e elas achando aquilo tudo lindo”.

Convicção reforçada

Nathalia Rheges destacou que sempre soube da importância de estar pronta para atender a todos as pessoas e que a experiência para o projeto “Mães Extraordinárias” reforçou o valor do acolhimento.

“Sobre não é simplesmente ter acessibilidade na empresa, no local de trabalho atingir um certo, uma determinada exigência. A gente deve se conscientizar mesmo da real necessidade dessas famílias. Foi um dia de grande movimento lá no estúdio, que eu tive outras oportunidades, mas a acessibilidade me fez ir para lá, ter o elevador, ter uma porta larga que as cadeiras podem passar. Vagas destinadas a esse público. Por mais que isso já era muito enraizado, eu acho que eu vou me preocupar ainda mais”.

Nathalia comentou a importância de enxergar e respeitar as lutas das outras pessoas - em especial, as mães.

“A gente que é mãe, que empreende, que trabalha fora, que já sai com criança, aquela correria todos os dias, carrega mochila. Imagine essas mães, que tem que tirar a criança, tirar a cadeira, tem que montar. Eu percebi a necessidade de falar, de conscientizar cada vez mais pessoas a trabalhar, a atingir, a buscar esse público. Onde estão essas mães? Se eu trabalho com mulheres, se eu trabalho com mães, onde estão essas mães ativas? Entrar, de fato mesmo, na realidade delas e trazê-las para a nossa realidade”.

 

Por

Natural de Juiz de Fora, jornalista com graduação e mestrado pela Faculdade de Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Experiência anterior em Rádio, TV e Internet. Gosta de esporte, filmes e livros. Editora Web na Itatiaia Juiz de Fora desde 2023. Tricampeã na categoria Web/Mídias Digitais no Prêmio Oddone Turolla de Jornalismo, do Sindicomércio JF.