Juiz de Fora vive um aumento expressivo do número de casos de hepatite A. Alerta epidemiológico que a Itatiaia teve acesso mostra um aumento de 112% dos casos nos dois primeiros meses de 2026, em comparação com todo o ano de 2025.
Ainda segundo o documento, 70% dos casos da doença se manifestou em homens, com idades de 20 a 34 anos.
O desempenho segue o comportamento comum verificado em todo o país. O documento cita dados do Ministério da Saúde, que indica que o número de casos da doença apresenta aumento desde 2024. Em 2023, a taxa de incidência da doença era de 1,1 casos por 100.000 habitantes. Em 2024, a incidência passou para 1,7 para cada 100.000 habitantes, o que representa um aumento de 54% no período.
Os surtos recentes também mostram uma mudança no perfil epidemiológico, com maior acometimento de adultos jovens, homens e suspeita de transmissão por práticas sexuais sem proteção, oral anal.
O documento também destaca que eventos climáticos como o período de verão com o aumento de chuvas e inundações podem contribuir para o aumento de casos, já que a via hídrica alimentar integra a cadeia de transmissão da hepatite A.
O que diz a Prefeitura?
Em nota, a prefeitura de Juiz de Fora informou que a cidade registra 65 casos de hepatite A em 2026 e que o cenário não caracteriza surto. Afirma ainda que a cidade acompanha um aumento que se dá em cenário nacional, especialmente na região sudeste do país.
Em relação à contaminação na cidade, a Prefeitura descarta que a água contaminada seja uma hipótese provável. Com base no monitoramento epidemiológico realizado pela Secretaria de Saúde, a hipótese mais consistente é a de transmissão associada ao consumo de alimentos crus sem adequada higienização. Também há registros de pessoas que estiveram fora do município e de indivíduos com histórico de contato com esgoto.
Entre as medidas adotadas pelo município estão monitoramento epidemiológico contínuo dos casos; oferta de exames diagnósticos; emissão de nota técnica de alerta aos serviços e profissionais de saúde; divulgação de cartilha com orientações sobre prevenção e cuidados após o diagnóstico; busca ativa e investigação epidemiológica de todos os casos notificados; organização da rede assistencial para atendimento e manejo adequado dos pacientes.
Confira a íntegra da entrevista da hepatologista Juliana Ferreira para a jornalista Désia Souza.