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Domesticação de jabutis: entenda os riscos e fatores de ilegalidade

Um morador da região da Cidade Alta procurou a corporação para realizar a entrega voluntária do animal silvestre mantido em cativeiro. Diretora de Proteção à Fauna do IEF, Ariane Goulart, ressalta sobre a ilegalidade de tirar esse animal do habitat natural

Por, Juiz de Fora
Jabuti-Piranga, domesticação sem registro do animal é crime e pode resultar em multa. • PJF / Divulgação

Neste mês, a Guarda Municipal recolheu uma jabuti-piranga, em Juiz de Fora. Um morador da região da Cidade Alta procurou a corporação para realizar a entrega voluntária do animal silvestre mantido em cativeiro.

Segundo o órgão, foi diferente porque as ocorrências mais frequentes envolvendo animais silvestres geralmente estão relacionadas a resgates de espécimes feridos ou em situação de risco.

Uma equipe da Guarda foi ao local e realizou o transporte do animal até o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais (IEF-MG), no bairro Aeroporto. Após avaliação técnica, foi constatado que se trata de uma fêmea adulta da espécie jabuti-piranga, em boas condições de saúde.

Domesticação de animais silvestres

O caso em Juiz de Fora não é isolado. Neste mês, o Instituto Estadual de Florestas (IEF) reforçou alerta sobre os impactos da domesticação de animais silvestres, especialmente do Jabuti-piranga, uma das espécies mais comercializadas e traficadas no Brasil.

Apesar da aparência tranquila e da fama de animal de fácil manejo, especialistas destacam que os jabutis exigem cuidados específicos e de longo prazo, além de representarem desafios para a conservação da fauna silvestre, saúde pública e bem-estar animal.

Os Centros de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras) em Minas Gerais recebem muitos desses animais. Segundo o órgão, cerca de 300 jabutis estão sob os cuidados dos centros localizados em Juiz de Fora, Belo Horizonte, Montes Claros, Patos de Minas e Divinópolis.

"Toda vez que se retira do ambiente natural um animal silvestre, isso é um crime ambiental. Então, a primeira coisa é a ilegalidade desse ato, as pessoas não podem pensar em capturar um jabuti direto da natureza. Se você compra-lo sem registro, isso também é crime", explicou diretora de Proteção à Fauna do IEF, Ariane Goulart

O órgão alerta que, diferentemente de cães e gatos, os jabutis não passaram por processos de domesticação. Quando retirados da natureza, os animais podem ter seus comportamentos naturais comprometidos, impactando diretamente seu bem-estar, como detalha Ariane.

"Quando você coloca um jabuti numa área que não tem a estrutura que ele precisa para desenvolver, você não permite que esse animal tenha uma boa qualidade de vida. Você traz problemas de saúde para esse animal. Além disso, ele pode trazer riscos de doença, tanto para o ser humano, quanto o próprio animal", finalizou.

Para o instituto, a conscientização da população é fundamental para reduzir o tráfico de fauna silvestre e evitar abandonos futuros.

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Graduando em jornalismo pela UFJF, Michel Santos é estagiário da Itatiaia em Juiz de Fora. Apaixonado por esportes, videogames e fã aficcionado de automobilismo.