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Review - HYPERWIRED aposta em mecânia promissora, mas se perde na repetição

Jogo desenvolvido pela SIDRALGAMES tem mecânica curiosa de gerenciamento de recursos, mas esbarra na falta de variedade entre as partidas

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HYPERWIRED aposta em mecânica inédita de 'Plug n' Shoot'
HYPERWIRED aposta em mecânica inédita de 'Plug n' Shoot' • Divulgação/SIDRALGAMES

HYPERWIRED é um shoot 'em up roguelike que tenta se diferenciar de um gênero já bastante consolidado nos jogos eletrônicos. Desenvolvido pela SIDRALGAMES e publicado pela SelectaPlay e Beep Japan, o game propõe uma ideia simples de explicar, mas incomum na prática: a nave do jogador precisa se conectar a tomadas espalhadas pelas fases para recarregar energia, vida, munição e outros atributos.

Ao se conectar, a movimentação fica restrita a um raio limitado do cabo. Desconectar devolve liberdade total, mas custa segurança, já que os recursos se esgotam rapidamente enquanto o jogador está solto pelo mapa.

Pára esta review, a Itatiaia recebeu uma versão do game de Nintendo Switch 2, plataforma que abriga o título junto com PC, PlayStation e Xbox Series.

Uma ideia interessante que carrega o peso da própria proposta

O conceito central de HYPERWIRED tem potencial. Cada tomada carrega um atributo específico, o que obriga o jogador a planejar rotas e decidir, em tempo real, entre avançar desprotegido ou permanecer plugado e vulnerável a ataques à distância. Essa tensão constante é o que sustenta boa parte da identidade do jogo.

Na prática, porém, esse sistema acaba concentrando a atenção do jogador em um único objetivo por fase: correr até as tomadas necessárias, reativá-las e seguir para a saída. Isso reduz o incentivo para engajar com os inimigos espalhados pelo cenário, já que a rota mais eficiente costuma ser justamente evitar combates desnecessários e priorizar a recarga de recursos.

Combate simples, mas sobrecarregado de sistemas

O combate segue a estrutura clássica, com movimentação em um analógico e mira independente no outro. A isso se somam bombas, laser carregado e um recurso de câmera lenta, que consome pontos coletados ao eliminar inimigos. Ainda existem baterias, que aplicam efeitos apenas enquanto conectadas a uma tomada, e chips, que ficam presos ao cabo da nave e concedem bônus temporários.

HYPERWIRED • Divulgação/SIDRALGAMES
HYPERWIRED • Divulgação/SIDRALGAMES

Esses sistemas se sobrepõem com frequência. Batalhas contra chefes, por exemplo, tendem a favorecer uma estratégia repetitiva: manter distância e permanecer perto de uma tomada, disparando à distância, em vez de se arriscar em combate corpo a corpo. Um mecanismo chamado overcharge foi criado justamente para evitar que o jogador fique plugado por tempo indeterminado, desconectando a nave à força após alguns segundos, mas o efeito é mais um incômodo pontual do que uma escolha estratégica.

Naves resgatadas ampliam o elenco jogável

Pelo mapa, é possível encontrar pequenas naves à deriva, que precisam ser conduzidas até uma tomada com o recurso correto para serem recarregadas. Uma vez resgatadas, elas passam a lutar automaticamente ao lado do jogador durante aquela partida e, quando salvas pela primeira vez, ficam disponíveis como opção de nave jogável nas próximas runs.

Cada nave desbloqueada apresenta atributos diferentes, o que altera o ritmo de jogo de forma perceptível. Ainda assim, a estrutura central de cada fase permanece a mesma independentemente da nave escolhida.

Progressão entre runs fica devendo

Um dos pontos mais sensíveis de HYPERWIRED está na sensação de evolução entre as partidas. As melhorias oferecidas ao longo de uma run não costumam apresentar grandes mudanças na forma de jogar. Faltam escolhas que transformem significativamente uma partida, algo comum em roguelikes.

HYPERWIRED • Divulgação/SIDRALGAMES
HYPERWIRED • Divulgação/SIDRALGAMES

Além disso, os chefes aparecem sempre na mesma ordem e não mudam de comportamento entre as tentativas. Isso faz com que, após a primeira conclusão bem-sucedida, boa parte da surpresa do jogo se esgote. As naves resgatadas ao longo de uma fase também são perdidas ao encarar um chefe, o que impede que o jogador acumule um exército maior conforme avança.

Visual competente, mas espaços vazios

Visualmente, HYPERWIRED aposta em pixel art com forte uso de neon, contraste elevado e um cabo de energia que funciona quase como uma extensão da interface, ajudando a organizar visualmente o caos de tiros e explosões na tela. No Switch 2, em modo portátil, os elementos menores do cenário podem exigir mais atenção do jogador para distinguir naves aliadas, inimigas e os diferentes tipos de tomada.

A trilha sonora, de inspiração eletrônica, cumpre bem seu papel tecnicamente, mas o impacto se perde em fases com poucos inimigos em tela. Isso faz com que a música soe mais intensa do que a ação visual correspondente, criando um descompasso entre o ritmo sonoro e o que realmente acontece no jogo.

HYPERWIRED • Divulgação/SIDRALGAMES
HYPERWIRED • Divulgação/SIDRALGAMES

Vale a pena jogar HYPERWIRED?

HYPERWIRED entrega uma proposta genuinamente diferente para o gênero de shoot 'em ups roguelike, com uma mecânica que gera decisões interessantes no papel. Só que essa mesma mecânica, ao se tornar prioridade quase absoluta em cada fase, acaba homogeneizando o combate e reduzindo o incentivo para explorar outras possibilidades do jogo.

É uma experiência que funciona melhor em sessões curtas, especialmente no modo portátil do Switch 2, mas que dificilmente sustenta longas maratonas de jogo. Quem gosta de roguelikes e busca uma mecânica fora do comum encontra em HYPERWIRED uma proposta válida, ainda que devendo em variedade de conteúdo e em builds que realmente mudem o jeito de jogar.

Nota final: 3,3/5

Ficha técnica

  • Lançamento: 02/07/2026
  • Desenvolvedora: SIDRALGAMES
  • Distribuidora: SelectaPlay, Beep Japan Inc.
  • Plataformas: PC (Steam), Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, PlayStation 4/5, Xbox Series X/S
  • Versão analisada: Nintendo Switch 2
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Jornalista formado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte - UniBH. Já atuou em diversas áreas do jornalismo, como assessoria de imprensa, redação e comunicação interna. Apaixonado por esportes em geral e grande entusiasta de games.

 

 

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