Vôlei: aos 41 anos, Tiffany, do Osasco, anuncia data para aposentadoria
Jogadora foi a primeira atleta transsexual a participar da Superliga Feminina de Vôlei; nesta temporada, ela enfrenta uma disputa judicial com a CBV para poder jogar

O Osasco São Cristóvão Saúde é o grande campeão da Supercopa Feminina de Vôlei. A equipe conquistou o bicampeonato nesta sexta-feira (16), ao vencer o Dentil Praia Clube por 3 sets a 0 (25x22, 25x21 e 25x21), no Ginásio Castelinho, em São Luís.
A oposta Tiffany Abreu foi eleita a melhor jogadora da partida. Após o confronto, a atleta de 41 anos revelou que essa será a última temporada como jogadora. Após o fim da Superliga, ela se aposentará.
"Eu quero terminar essa minha temporada com fé, com garra, com trabalho e fazer uma aposentadoria das quadras com muito amor. Eu já tava falando que seria meu último ano, mas vai ser o último ano que eu vou lutar sempre pra fazer o máximo que eu puder por esse time maravilhoso que me acolheu com muito amor, por essa torcida que me acolheu. Aonde eu vou, qualquer ginásio, seja jogo contra, seja jogo a favor, uma torcida que tá sempre me amando, sempre me abraçando. Então só tenho que agradecer todos por tudo que fizeram por mim dentro das quadras", disse.
"É muito difícil. Tô com 41 anos, vou fazer 42 no final do mês e quero terminar assim essa temporada, porque eu não estou aguentando com câimbra, com cansaço, gente", revelou também.
Carreira
Nascida em 29 de outubro de 1984, em Goiânia, Tiffany iniciou sua carreira profissional no vôlei masculino como levantadora. Após passagens pela Europa, Tiffany realizou sua transição de gênero e, em 2017, tornou-se a primeira atleta trans a disputar uma competição oficial de voleibol feminino adulto no Brasil, ao defender o Vôlei Bauru na Superliga.
Em 2021, Tiffany transferiu-se para o Osasco São Cristóvão Saúde, clube pelo qual conquistou títulos como o Campeonato Paulista, a Copa Brasil e a Superliga Feminina na temporada 2024/25.
Batalha judicial
Menos de duas horas antes da final da Supercopa, Tiffany conseguiu liminar na Justiça para poder disputar as competições da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) e pôde entrar em quadra.
Ela estava impedida de jogar torneios nacionais após a CBV passar a seguir os critérios e fundamentos da Política de Proteção da Categoria Feminina do COI, que limita a elegibilidade nessa categoria exclusivamente às atletas do sexo biológico feminino.
Giovanna Rafaela Castro é jornalista graduada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Amante de esportes e suas diversas ramificações no extracampo. Passagem por Estado de Minas.



