Fora da Superliga, Tiffany detona proibição da CBV e desabafa: 'Não sou bandida'
Oposta esteve no evento de lançamento da Superliga Feminina, em São Paulo, nesta quinta-feira (1º)

A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) divulgou, em agosto, uma nova política para a participação de atletas trans no esporte. As novas determinações proíbem Tiffany Abreu, oposta do Osasco, de participar da Superliga.
A jogadora esteve no lançamento do torneio, nesta quinta-feira (1º), na COB Expo, em São Paulo. Tiffany não mediu palavras para criticar as ações da Confederação e afirmou que segue em conversas para disputar o torneio, que começa na segunda quinzena de outubro.
"O contato é diário. A gente vai tentar até o último dia. Tá na mão de Deus (liberação). Espero que Deus toque o coração dele (presidente)", disse. "Nenhum contato da CBV comigo ou com o clube. A gente foi pego de surpresa. Isso machucou bastante", completa.
"É um momento muito difícil. Ao mesmo tempo que tenho que estar focada no treinamento diário, para competir. Ter quer lidar com isso no meio de uma temporada não é fácil. Temos que dar o melhor dentro de quadra. E aí a gente recebe uma notícia dessa... como se eu fosse uma bandida. Eu não sou uma bandida. Eu sou uma atleta que inspira muitas pessoas, mereço estar jogando, dentro das quadras, onde é meu lugar", disse.
A jogadora disputou a Brasil Vôlei Cup, torneio amistoso que teve a participação do Gerdau Minas. Tiffany também segue disputando o Campeonato Paulista.
Falta de empatia
Tiffany também revelou qual é o sentimento em meio ao conflito. Ela revelou se sentir desprezada e destacou que falta empatia por parte de 'quem toma as decisões'.
"Raiva eu não sinto, porque acho que raiva é um sentimento que machuca muitas pessoas. Eu sinto um desprezo. Sinto desprezo.... sinto uma falta de empatia muito grande. A raiva eu acho que não é um sentimento que as pessoas deveriam carregar dentro do coração. A gente deve carregar amor. Faltou muita empatia com o ser humano, com a atleta, com o clube e com as pessoas que se inspiram em mim no esporte", destaca.
"A empatia, infelizmente, está faltando nas pessoas que comandam o esporte e estão vindo com uma política transfóbica. E eu falo infelizmente porque ninguém deveria ser excluída. Poderiam ter novas regras, novas formas de abrir portas para pessoas trans e não exclusão. Quando você exclui pessoas do esporte, você proíbe pessoas de praticar o esporte. O esporte não poderia ser político e está sendo político no momento", finaliza.
Torneios com nova diretriz
O Comitê Olímpico Internacional (COI), a Federação Internacional de Voleibol (FIVB) e a Confederação Sul-Americana de Voleibol (CSV) já adotaram essa medida, que foi criada em março de 2026.
A política entra em vigor a partir desta sexta e já será válida para as competições da CBV: Superliga A e B (temporada 26/27), Supercopa 2026, Copa Brasil 2027, Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia 2027 (adulto), CBVP Challenger 2027 e nas respectivas edições seguintes durante a vigência da política.
“Com a mudança dos parâmetros internacionais e da responsabilidade institucional, a CBV buscou manter o alinhamento entre as regras que regem as competições nacionais com as hoje vigentes para as competições internacionais. A decisão da CBV se adequa ao COI e deixa nossos campeonatos equiparados com as competições internacionais.”, explica Radamés Lattari, presidente da CBV.
Rafael Oliva é formado em Jornalismo pela PUC-SP, pós-graduando em Marketing e Mídias Digitais pela FGV e produtor audiovisual. Passou por Lance! e Câmara Municipal de São Paulo. Já cobriu o dia a dia de Santos, Palmeiras e diversos eventos esportivos na cidade de São Paulo. Na Itatiaia, cobre Palmeiras, São Paulo e outros esportes na capital paulista.
Leonardo Parrela é chefe de reportagem do portal Itatiaia Esporte. É formado em Jornalismo pela PUC Minas. Antes da Itatiaia, colaborou com ge.globo, UOL Esporte e Hoje Em Dia. Tem experiência em diversas coberturas como Copa do Mundo, Olimpíada e grandes eventos.




