Belo Horizonte
Itatiaia

Diferença do PPV do Flamengo para Atlético e Cruzeiro pagaria duas folhas celestes e quase uma alvinegra

Clube da Gávea arrecadou com o pacote, por mês, R$ 12 milhões a mais que o Galo, e R$ 14 milhões em relação à Raposa

Por
Coluna do Alexandre Simões • Itatiaia

Os R$ 154 milhões de pay-per-view que o Flamengo arrecadou a mais do que o Atlético, e os R$ 176,7 milhões de vantagem sobre o Cruzeiro, isso na Série A 2023, divididos por 12, número de meses do ano, significam quase a folha do futebol alvinegro na última temporada e representam praticamente o dobro do que os celestes desembolsaram com salários do elenco no retorno à elite do futebol brasileiro.

O alvinegro terminou o ano gastando cerca de R$ 15 milhões mensalmente com seu time. A diferença para o Flamengo divida por 12 significa R$ 12 milhões por mês. Os celestes pagavam de salários algo entre R$ 7 e 8 milhões. A operação em relação ao rubro-negro da Gávea supera os R$ 14 milhões por mês.

O rubro-negro carioca faturou R$ 177,3 milhões com o pay-per-view no Brasileirão do ano passado, cerca de dez vezes mais que Galo (R$ 16,4 milhões) e Raposa (R$ 18 milhões).

Estudos mostram que o dinheiro da televisão representa, na média, cerca de 50% da arrecadação dos grandes clubes brasileiros. É uma fatia muito grande do bolo para que tivesse sido permitida a troca do contrato de pay-per-view após ele já estar assinado pelas partes.

Claro que a irresponsabilidade administrativa dos dirigentes associada à vantagem que a televisão levaria com a negociação promoveu esse abismo financeiro no futebol brasileiro, com Atlético e Cruzeiro sendo “vítimas” dessa situação, que se levada ao pé da letra fere o princípio da igualdade que deveria ser a base da relação entre as associações e a empresa que transmite os jogos.

Essa situação provoca o absurdo de Atlético e Cruzeiro, juntos, terem arrecadado menos do que o Flamengo com televisão no Brasileirão de 2023, como mostrou a coluna de Allan Simon, no UOL.

O rubro-negro carioca embolsou R$ 275,2 milhões, contra R$ 219,7 milhões dos mineiros, sendo R$ 121,2 milhões do Atlético, e R$ 98,5 milhões do Cruzeiro.

Ninguém obrigou os dirigentes de Atlético e Cruzeiro a pedirem adiantamento de receitas à TV, que condicionou a liberação do dinheiro a um novo contrato no que se refere ao pay-per-view, que vem sofrendo quedas de assinaturas desde 2019, com a situação aumentando pela crise financeira provocada pela pandemia.

Com a mudança do contrato, Atlético e Cruzeiro faturaram com pay-per-view apenas parte do que venderam de pacotes.

Repito que foi irresponsabilidade administrativa cometida pelos comandantes das associações. Agora cabe aos gestores das respectivas SAFs conviver com essa situação absurda, que aumenta ainda mais a disparidade de arrecadação do Flamengo em relação aos outros clubes, já que além do rubro-negro carioca, apenas Corinthians, Grêmio e Palmeiras têm o contrato original.

Pela importância do dinheiro da TV, deveria ser cláusula do contrato a impossibilidade de alteração do mesmo por algumas partes apenas, pois isso gera desequilíbrio técnico.

Para o produto futebol é ruim que se tenha esse tipo de situação que ainda vai acontecer este ano, que é quando vence o contrato assinado em 2019. Num momento em que os clubes discutem a criação de ligas ou de uma única liga, buscar maneiras de transformar mais justa a divisão do dinheiro da televisão e impedir que situações como a provocada pela mudança de contrato de algumas equipes é fundamental.

Numa conta simples, com base nos números do ano passado, é possível que a mudança do contrato de pay-per-view represente quase R$ 100 milhões a menos nos cofres de Atlético e Cruzeiro apenas em 2023 e 2024. É muito dinheiro para quem tem como desafio um processo de reconstrução.

Participe do canal da Itatiaia no Whatsapp e receba as principais notícias do dia direto no seu celular. Clique aqui e se inscreva.

Por

Alexandre Simões é coordenador do Departamento de Esportes da Itatiaia e uma enciclopédia viva do futebol brasileiro