FIA avalia retorno do reabastecimento e fim de equipes clientes com volta dos motores V8
Durante o GP de Miami deste ano, Sulayem já havia declarado que a troca dos atuais motores era apenas questão de tempo

O presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), Mohammed Ben Sulayem, revelou que a entidade estuda duas mudanças importantes para a Fórmula 1 com a prevista reintrodução dos motores V8 até 2031: o retorno do reabastecimento durante as corridas e o fim do modelo de equipes clientes. A informação foi divulgada pela Reuters.
Segundo Ben Sulayem, uma das propostas em análise prevê que cada fabricante de motores forneça unidades de potência apenas para sua própria equipe. Com isso, as escuderias clientes deixariam de utilizar motores das montadoras que também competem na categoria e poderiam recorrer a uma fornecedora independente aprovada pela FIA, com custo reduzido.
Atualmente, a F1 conta com cinco fabricantes de motores: Mercedes, Ferrari, Red Bull-Ford, Audi e Honda. A Mercedes fornece unidades para Mercedes, McLaren, Alpine e Williams, enquanto a Ferrari abastece Ferrari, Cadillac e Haas. A partir de 2029, a Cadillac utilizará motores próprios.
A proposta busca reduzir a influência das equipes da fábrica sobre as clientes. Um dos exemplos é a Red Bull-Ford, que produz motores para a Red Bull e também para a Racing Bulls, equipe considerada o segundo time da estrutura.
Ben Sulayem afirmou que pretende impedir qualquer tipo de controle entre equipes por meio do fornecimento de motores e citou a Cosworth, fornecedora independente que permaneceu no grid até 2013, como um modelo que pode voltar a fazer parte da categoria.
“Não haverá controle sobre as equipes, a equipe A sobre a equipe B, no que diz respeito ao fornecimento de motores. Se for viável financeiramente, teremos um motor para todas as equipes B, para que ninguém possa pressioná-las e dizer ‘votem desta forma ou não lhes daremos um bom motor’”, declarou.
Além da questão dos fornecedores, a FIA também avalia o retorno do reabastecimento. A ideia surge como consequência da possível adoção dos motores V8 aspirados com uma parcela elétrica menor, projeto que pretende reduzir custos, diminuir o peso dos carros e aumentar o ruído dos motores, uma demanda recorrente dos torcedores.
Como os motores V8 consumiriam mais combustíveis, seria necessário ampliar a capacidade dos tanques, o que aumentaria o peso dos carros. Para evitar esse cenário, a FIA considera a volta do reabastecimento, prática abolida em 2009 por razões de custo e segurança.
“Estamos analisando a questão do reabastecimento neste exato momento. Não é um problema se for feito da maneira certa. Por isso, estamos estudando o assunto. Ainda não há nada definido. Trata-se de reabastecimento com combustível sustentável combinado com eletrificação. Talvez consideremos um nível de eletrificação superior a 10%. Na verdade, continuamos com as opções em aberto”, afirmou o dirigente.
Durante o GP de Miami deste ano, Sulayem já havia declarado que a troca dos atuais motores V6 pelos V8 era apenas questão de tempo. O atual regulamento de unidades de potência está previsto para permanecer em vigor até 2031, embora a Fórmula 1 possa antecipar as mudanças para 2030 caso obtenha o apoio da maioria dos fabricantes.
Jornalista em formação pelo UniBH, com passagem por Diário do Comércio e Secretaria de Estado do Governo de Minas. Experiência em jornalismo econômico e esportivo, área pela qual é apaixonada.






