Os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026 começam na próxima sexta-feira (5). Os símbolos oficiais do evento são dois arminhos (stoats) chamados Tina e Milo.
Estas figuras antropomórficas não apenas cumprem o papel tradicional de engajamento do público e merchandising, mas também carregam narrativas profundas. Os mascotes também suscitam debates sobre inclusão, resiliência e a geografia italiana.
Diferentemente de mascotes criados exclusivamente por agências de design, Tina e Milo são fruto de um processo participativo. Foram envolvidos estudantes e o público geral para refletir uma conexão direta entre o evento e a população italiana.
A origem e o processo de seleção
A trajetória de Tina e Milo começou muito antes de sua apresentação oficial. O Comitê Organizador de Milão-Cortina 2026, em colaboração com o Ministério da Educação da Itália, lançou a iniciativa “La Scuola per le Mascotte” (A Escola para as Mascotes). O objetivo era envolver estudantes de todo o país na concepção dos ícones dos Jogos.
Cerca de 1.600 ideias de design foram submetidas por turmas de escolas primárias e secundárias de toda a Itália. Dentre elas, duas propostas finalistas foram escolhidas para uma votação pública.
De um lado, os arminhos (desenhados por estudantes do Istituto Comprensivo di Taverna, na região da Calábria); do outro, um par de flores chamadas “The Flowers” (campânulas-brancas), desenhadas por estudantes de Segrate, próximo a Milão.
A votação foi aberta ao público em fevereiro de 2023, durante o Festival de Sanremo. Em fevereiro de 2024, foi anunciado que os arminhos venceram com 53% dos votos.
Embora o conceito original tenha vindo dos estudantes da Calábria, o design final foi polido e profissionalizado. O objetivo era atender às necessidades de animação e reprodução comercial, mantendo a essência dos desenhos infantis.
Significado e características técnicas
A escolha do arminho (Mustela erminea) é zoologicamente relevante para a região dos Alpes italianos, onde o animal é nativo. A dualidade entre Tina e Milo explora as características biológicas da espécie, que muda a cor da pelagem conforme a estação, e atribui personalidades distintas que espelham as cidades-sede.
Tina: a mascote Olímpica
Tina, a mascote arminho de Cortina, na Itália
Tina representa a cidade de Cortina d’Ampezzo.
Seus traços principais incluem pelagem clara, típica do arminho no inverno para camuflagem na neve. Uma personalidade criativa, concreta e curiosa.
É descrita como uma amante da beleza e da arte, com uma forte conexão com a cidade e a cultura urbana.
O lema da mascote é “Sonhe alto” (Dream big).
Milo: a mascote Paralímpica
Milo, o mascote paralímpico dos Jogos de inverno 2026
Milo representa a cidade de Milão. É um personagem desenhado com foco na representatividade e resiliência.
A mascote possui pelagem marrom, cor típica do arminho durante o verão.
Milo nasceu sem uma das patas traseiras. O design utiliza essa característica não como uma limitação, mas como um elemento de superação, onde ele utiliza a cauda para auxiliar na locomoção e equilíbrio.
Milo é sonhador, otimista e inventor. Ele adora a neve, as montanhas e constrói seus próprios instrumentos musicais.
O lema do mascote é “Obstáculos são trampolins” (Obstacles are trampolines).
O papel dos “The Flo”
Tina e Milo não atuam isoladamente no universo visual de Milão-Cortina 2026. Eles são acompanhados por seis pequenas flores de campânula-branca, conhecidas coletivamente como “The Flo”.
A inclusão destes personagens secundários serve a propósitos específicos, ela é uma homenagem ao design que ficou em segundo lugar na votação popular. Uma forma de integrar as duas propostas escolares favoritas.
Além disso, os “The Flo” representam a importância do trabalho em equipe e da coletividade nos esportes de inverno. Eles também reforçam a mensagem ecológica dos Jogos, simbolizando a flora alpina que precisa ser preservada.
Curiosidades e dados históricos
A existência de Tina e Milo traz consigo fatos interessantes que conectam a geografia italiana e a história das mascotes olímpicas. Os nomes são diminutivos diretos das cidades-sede: Tina de Cortina e Milo de Milão (Milano).
Embora os Jogos sejam sediados no norte da Itália (Milão e Cortina), o desenho vencedor veio de uma escola na Calábria, no extremo sul do país. Isso é utilizado simbolicamente para mostrar que o evento pertence a toda a Itália, para unir regiões culturalmente distintas e que possuem rivalidade histórica.
Esta não é a primeira vez que mascotes olímpicos são escolhidos por votação, mas é um dos casos mais proeminentes de design estudantil sendo elevado ao patamar global através de plebiscito popular direto.
Tina e Milo exemplificam a evolução das mascotes esportivas modernas, deixando de ser apenas figuras cômicas para se tornarem vetores de mensagens sociais complexas.