PEC da Segurança Pública impacta em R$ 500 milhões no esporte, e COB reage em Brasília
Marco Antonio La Porta (presidente do Comitê Olímpico do Brasil) e Emanuel Rego (diretor-geral do COB) estão em Brasília para discutir propostas
O Comitê Olímpico do Brasil (COB) luta nesta semana para evitar que o esporte no país sofra um baque nos cofres e perca cerca de R$ 500 milhões em recursos por ano diante da PEC da Segurança Pública. Marco Antonio La Porta (presidente do Comitê Olímpico do Brasil) e Emanuel Rego (diretor-geral do COB) estão em Brasília para discutir o tema no Senado e concederam entrevista exclusiva à Rádio Itatiaia.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o financiamento da segurança pública pode interferir na destinação de recursos. O texto aprovado prevê redução de 30% de repasses de bets destinados ao esporte. A estimativa é que aproximadamente R$ 500 milhões sejam retirados do orçamento, algo que certamente causará grande impacto, como revelou Marco Antonio La Porta.
"Impacto significativo. Só no COB, são várias fontes de financiamento, e uma é esse recurso que vem das bets. Esse impacto do PEC da Segurança Pública corta 30% do recurso. Entre e 30 a 40 milhões", iniciou.
O presidente do COB citou os Jogos da Juventude, evento que reúne mais de dois milhões de jovens entre 15 e 17 anos e que custa exatamente o valor que será cortado da entidade.
"É um prejuízo muito grande parar um evento que você traz os jovens para o esporte e tem a ver com segurança publica. Quando o jovem está praticando esporte, ele esta afastado do crime e acabamos contribuindo para essa segurança pública. Boa parte dos atletas olímpicos que passaram pelos jogos olímpicos, começaram nos jogos da juventude, é o início da carreira do atleta. Quando você tira a possibilidade dele aparecer e mostrar o trabalho, talvez esteja perdendo a oportunidade de revelar mais um atleta", declarou.
La Porta ainda explicou corte no repasse dos valores ao COB fará com que os recursos atuais sejam remanejados, já que há compromissos com federações e atletas firmados há mais de três anos, quando o trabalho para a Olimpíada de Los Angeles em 2028 começou.
Por isso, ele, Emanuel e diversos atletas, como Hortência, Maurren Maggi e Ketleyn Quadros, passarão a terça (1°) no Senado para conversar com os senadores e explicar a situação. Eles já conversaram com o Governo, com o senador relator do projeto, Rogério Carvalho (PT-SE), e tem emendas de outros políticos pleiteando a retirada do artigo que prevê essa redistribuição do repasse que afeta o esporte. Além disso, o Ministro do Esporte, Paulo Henrique Perna Cordeiro, também demonstrou apoio ao COB.
Deixar claro que o Esporte não é contra a PEC, pelo contrário, sabemos da importância dela para melhorar a segurança pública, que é um problema que aflige o brasileiro. Mas não faz sentido nenhum que esse recursos seja tirado do Esporte, que prevê educação.
Emanuel explica como PEC afeta o atleta
Um dos maiores nomes da história do esporte olímpico brasileiro, Emanuel Rêgo, que tem três medalhas olímpicas e é tricampeão mundial, hoje é diretor-geral do COB e falou de como o corte desse repasse pode afetar os atletas.
"A vida do atleta é baseada em investimento, infraestrutura, capacidade de ter treinador e recursos para competições. É nesse ponto que a falta de recurso do COB pode gerar uma falta de investimento na sequência dos atletas. Nosso pleito é unir o esporte e demonstrar que, quanto mais investimentos, facilita você chegar nos melhores resultados. Com mais recursos e boas gestões, temos mais resultados", declarou.
Proposta de intervenção
A PEC da Segurança será apreciada na Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) nesta quarta-feira (2). O texto foi aprovado em dois turnos e despachada para a CCJ no dia 21 de agosto. Confederações esportivas do Brasil, atletas e ex-atletas se posicionaram contra o corte nas redes sociais. Em Brasília, Marco Antonio La Porta (presidente do Comitê Olímpico do Brasil) e Emanuel Rego (diretor-geral do COB), buscam reverter o cenário.
A proposta, caso, aprovada sem alterações, não precisará retornar à Câmara para nova votação. É aí que entra a intervenção proposta pelo Conselho Conselho Nacional dos Comitês Esportivos (CNCE).
O CNCE, que tem como membros organizações como COB, Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), entre outros, argumenta contra o movimento. O Conselho aponta que a retirada pode atingir estruturalmente o esporte, desde a formação de atletas até programas de inclusão.
A tentativa de preservar a destinação dos recursos foi apresentada por Leila Barros, senadora do PDT-DF. A emenda quer manter as atuais destinações sociais e aproveitar os recursos adicionais das próprias operadoras de apostas para incrementar a segurança pública. A alteração faria o texto retornar novamente para a apreciação dos deputados.
Alecsander Heinrick é formado em Comunicação Social - Jornalismo pela PUC Minas e tem experiências em agências de comunicação e redação. Teve passagens por Esporte News Mundo, EstrelaBet, Jornal Hoje em Dia, Trivela e Jornal O Tempo. Apaixonado por todos os tipos de esportes, em especial futebol, futebol americano e basquete, além de séries e filmes.
Leonardo Parrela é chefe de reportagem do portal Itatiaia Esporte. É formado em Jornalismo pela PUC Minas. Antes da Itatiaia, colaborou com ge.globo, UOL Esporte e Hoje Em Dia. Tem experiência em diversas coberturas como Copa do Mundo, Olimpíada e grandes eventos.
Nathália Fiuza é comentarista da Rádio Itatiaia e escreve diariamente aqui.




