Marco La Porta vence eleição e é o novo presidente do COB
Chapa com Yane Marques superou Paulo Wanderley, atual presidente

Marco Antônio La Porta é o novo presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB). Nesta quinta-feira (3), o ex-vice-presidente da entidade superou o atual presidente, Paulo Wanderley Teixeira, em votação realizada no Rio de Janeiro, na Assembleia Geral do COB. Ele será o 10º presidente da história do COB.
A chapa de La Porta, que conta com Yane Marques como vice, recebeu 30 dos 55 votos em disputa, contra 25 da chapa encabeçada por Paulo Wanderley, que tinha Alberto Maciel Júnior como candidato a vice. La Porta e Yane, medalhista olímpica no pentatlo moderno na Olimpíada de Londres-2012, vão administrar o comitê no período 2025-2028. A posse está marcada para 15 de janeiro.
A eleição
A disputa foi marcada pelo equilíbrio, como era esperado desde o início do processo eleitoral. Neste ano, disputaram apenas duas chapas, um a menos do que na eleição de 2020. La Porta entrou na disputa com a garantia de ter os 19 votos dos atletas e precisava de, ao menos, mais nove para buscar a vitória. Esses votos poderiam vir das confederações e dos dois representantes do Brasil no Comitê Olímpico Internacional (COI).
A votação, secreta, foi realizada com voto de papel, em urnas, no Centro de Treinamento do COB, na zona oeste do Rio de Janeiro, onde fica a sede da entidade.
A Assembleia Geral do COB, que conduz todas as eleições, é formada por 34 presidentes das Confederações Olímpicas de Verão e Inverno filiadas ao COB, pelos dois membros brasileiros do Comitê Olímpico Internacional (COI) - Andrew Parsons e Bernard Rajzman - e por 19 representantes da Comissão de Atletas (CACOB)
Além de decidirem sobre o comando direto da entidade, no pleito do presidente e vice, eles também votaram para escolher sete membros do Conselho de Administração. Os eleitos foram Felipe Tadeu Moreira Lima do Rêgo Barros (Handebol), com 50 votos; Radamés Lattari Filho (Vôlei), com 50; Rafael Girotto (Canoagem), com 41; Jodson Gomes Edington Junior (Tiro Esportivo), com 39; Karl Anders Ivar Pettersson (Desportos na Neve), com 37; Flavio Cabral Neves (Wrestling), com 34; Flavio Padaratz (Surfe), com 29; e Daniela Castro(membro independente).
Veja as principais propostas da chapa vencedora para o COB:
Agenda do COI 2020+5
"Precisamos aumentar a participação da mulher no esporte olímpico. Já houve avanço grande, mas precisa de mais ações concretas. E também precisamos abraçar a questão da sustentabilidade."
Investimento mais assertivo
"Temos recursos suficientes, mas precisamos ser mais assertivos no emprego desse recurso. E planejamento a longo prazo: precisamos de um maior investimento na área de desenvolvimento (base). Precisamos de renovação. Vamos ampliar a participação dos atletas nos Jogos da Juventude, que é celeiro de talentos."
Governança e Conselho de Administração
"O presidente do COB não será mais o presidente do Conselho de Administração. Isso é um erro, nas empresas isso não acontece. Na governança, vamos incentivar mais as decisões colegiadas. O Conselho faz aprovação de contratos, hoje é muito operacional, e pouco estratégico."
Gestão
"Vamos trazer a Deloitte, que já é patrocinador do COB, para fazer uma auditoria na estrutura interna e estudar as políticas para tornar os processos mais rápidos e ter uma redistribuição de diretorias e gerências mais eficiente. E vamos para o mercado para buscar profissionais de qualidade que possam preencher essas possíveis novas vagas que vão aparecer."
Recuperação das confederações
"Vamos ter um plano de recuperação das entidades que se encontram com problemas, caso claro do Handebol e dos esportes aquáticos. As confederações precisam ter uma chance para uma gestão boa. Precisamos ajudar."
Recursos privados
"Precisamos fazer uma política clara de repasses de recursos privados. O COB anunciou o maior patrocínio da história, da Caixa Econômica Federal, mas não sabemos onde serão investidos esses recursos."
Luta contra o racismo
"Vamos criar o prêmio Melânia luz para incentivar as instituições que fazem o combate ao racismo."
Centros de Treinamento
"Precisamos pulverizar um modelo de centro de treinamento, de apoio ao atleta, para várias regiões do Brasil. Inicialmente queremos focar em três CTs, em Fortaleza, Rio de Janeiro e São Paulo. E, depois, pulverizar isso pelo Brasil inteiro. Precisamos ampliar a base da pirâmide para o topo crescer também "
Abertura
Fim de uma era
O resultado da eleição para presidência e vice coloca fim a um período de sete anos de gestão de Paulo Wanderley. Neste período, o Brasil obteve seus melhores resultados da história em Jogos Olímpicos, em Tóquio, em 2021, e em Paris-2024. O atual presidente havia assumido o cargo em 2017, substituindo Carlos Arthur Nuzman, que renunciou após denúncias de corrupção.
Paulo Wanderley recebeu elogios por parte de atletas e confederações por sua gestão nos últimos anos. Mas acabou desagradando parte do COB, principalmente os esportistas, por tentar um terceiro mandato à frente do COB. Após assumir como presidente em 2017, após ser eleito como vice, ele se reelegeu em 2020 e tentava nova reeleição desta vez.
Grupos de atletas, contudo, se organizaram para criticar a candidatura, considerada irregular com base na Lei Pelé, na Lei Geral do Esporte (que substituiu a primeira) e no próprio Estatuto do COB. Eles temiam que, se Paulo Wanderley se reelegesse novamente, o COB poderia perder a certificação do Ministério do Esporte. Assim, o governo federal vetaria o repasse dos recursos das loterias federais, que é a grande fonte de dinheiro do comitê. Também poderia impedir o repasse do patrocínio recém-assinado com a Caixa Econômica Federal.
Havia a expectativa de que, se o presidente obtivesse a reeleição nesta quinta, o pleito fosse decidido na Justiça. As entidades representativas dos atletas já vinham indicando essa possibilidade nos últimos dias.
Com agência
Portal de esportes da Itatiaia



