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Demitido do Vasco, Paulo Bracks revela bastidores da relação com a 777 Partners

Dirigente afirma que foi pego de surpresa e reclama de falta de diálogo com detentores da SAF, além de falta de respeito em sua demissão

Após a permanência do Vasco na Série A do Campeonato Brasileiro, o então diretor de futebol do clube, Paulo Bracks, deu coletiva falando do planejamento para 2024 e comemorando o êxito da equipe. Horas depois, sua demissão foi anunciada oficialmente, fato que pegou de surpresa o dirigente.

Segundo ele, pessoas que estavam no comando do clube não tiveram respeito pelo profissional para evitar o que ele classifica como constrangimento em sua coletiva final em São Januário. Para Bracks, o trabalho acabou sendo bem executado, entre erros e acertos.

“O Vasco estava no primeiro ano de reestruturação para entrar num segundo ano mais forte. Peguei um time de Série B e devolvemos em 7º no returno. Aquele constrangimento da entrevista poderia ter sido evitado se as pessoas tivessem mais respeito comigo, mas é vida que segue”, comentou em entrevista exclusiva à Itatiaia.

Para muitos torcedores, Paulo Bracks foi o culpado pelo momento ruim do clube. Em especial por não dar explicações. Mas ele revelou que o período em silêncio foram ordens de cima. Ele ainda contou que estava isolado no clube com pouco contato com os mandatários da 777 Partners, detentora de 70% da SAF cruz-maltina.

“Ser o alvo do torcedor é porque não tinha outra pessoa, só eu mesmo. Não tinha quem cobrar ou se ter como alvo em qualquer tipo de análise de elenco. A gestão estrangeira é distante fisicamente. Diferente do Botafogo e do Cruzeiro, eles se fazem presentes. Meu chefe imediato assistiu a dois jogos do Brasileiro. O associativo não tinha mais ingerência no futebol. É como se não tivesse ninguém. O CEO era o encarregado de gerir outras áreas”, comentou, lembrando as orientações da empresa norte-americana:

“Para qualquer tipo de insucesso era meu nome e meu rosto. Não fui mais às coletivas porque a 777 não queria que eu fosse. Fui quando precisou. Me mantive trabalhando. Todos os erros que foram cometidos, foram iguais aos de outros clubes. Até o campeão brasileiro (Palmeiras) errou esse ano. Teve protestos, críticas à presidente, muros pichados... Todos os erros corrigimos com êxito. Falo isso porque terminamos o ano na Série A. Não tinha a prerrogativa de passar que esse era o objetivo e quem apanhava era quem estava falando”, destacou.

Reação de Ramón e Emiliano Díaz

Logo que foi demitido, um vídeo na internet em que mostrava uma reação de surpresa de Ramón Díaz e Emiliano Díaz se tornou viral. Nele, após Bracks afirmar sobre planejamento em 2024, a dupla se entreolham como se já soubesse da saída do dirigente. O fato foi prontamente desmentido por ele.

“Conversei com ele. Não percebi. Até o Ramón se assustou com essa imagem. Até ele não estava certo que ficaria. E o comentário dele foi o que gerou um tempo. Aí ele viu eu dizendo que queria que ele ficasse. Ninguém sabia de nada. Só a pessoa que foi a executora”, disparou, completando sobre a revolta com sua repentina demissão:

“A revolta foi muito grande entre jogadores e funcionários. Os erros foram corrigidos. O êxito foi alcançado. O Vasco tem elenco que vale quatro vezes o que valia no início do ano”, disse.

O foco para 2024

Com a permanência do Vasco assegurada na Série A do Campeonato Brasileiro, Paulo Bracks já tinha todo o planejamento para a temporada seguinte em mãos, visando um ano melhor. Demitido em seguida, ele diz que teve que rasgar o projeto, que não chegou até o novo diretor, Alexandre Mattos.

“Quando falo que o planejamento estava pronto, é porque estava pensando em 2024. Tive que rasgar. Não entreguei para o Mattos, porque ele tem competência de fazer. Não iria abrir esse planejamento porque não fui orientado a tanto. Cheguei em casa às 4h e fui desligado às 9h. A decisão já estava tomada. Todo mundo comemora muito e até no campo. Até diretores que não frequentam o futebol foram lá. Íamos fazer 2024", lamentou.

Jornalista esportivo desde 2006 e com passagens por Lance!, Extra e assessorias de marketing esportivo. É correspondente da Itatiaia no Rio de Janeiro. Tem pós-graduação em Jornalismo Esportivo e formação em Análise de Desempenho voltado para mercado.
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